Decreto de Ricardo Ferraço estabelece prazo para suplementação orçamentária e coloca obras públicas sob pressão na transição de governo

O processo de transição do Governo do Espírito Santo para a gestão do governador eleito Lorenzo Pazolini (Republicanos) ocorre em meio a um calendário apertado de encerramento das contas públicas e restrições para movimentações orçamentárias

O governador Ricardo Ferraço (MDB) publicou nesta quarta-feira (4) o Decreto Estadual nº 6.518-R, que estabelece o cronograma para o encerramento do exercício financeiro de 2026 e determina prazos para abertura de créditos adicionais e emissão de empenhos.

A medida estabelece 6 de novembro como prazo final para publicação de decretos de abertura de créditos adicionais. Já a emissão de notas de empenho ordinárias deverá ocorrer até 13 de novembro, com prazo de lançamento no sistema SIGEFES até 19 de novembro.

Mais de 30 obras paralisadas entram no debate

Um dos pontos mais delicados envolve a situação das obras públicas estaduais. Levantamento citado na reportagem aponta a existência de mais de 30 obras paralisadas no Espírito Santo, em áreas como infraestrutura rodoviária, saúde, educação e segurança pública.

O volume de recursos estimado para créditos suplementares necessários à continuidade de contratos e à retomada de construções estaria próximo de R$ 390 milhões, provenientes do Tesouro Estadual.

A preocupação é que a limitação dos prazos para suplementação orçamentária possa dificultar a regularização financeira de contratos e comprometer o andamento de projetos que já enfrentam interrupções.

Equipe de Pazolini encaminhou 16 ofícios

Outro elemento importante da transição é o levantamento de informações solicitado pela futura administração.

Segundo as informações divulgadas, a equipe de Lorenzo Pazolini encaminhou 16 ofícios ao atual governo, solicitando esclarecimentos e dados administrativos para conhecer a situação da máquina pública estadual.

A equipe de Ricardo Ferraço deverá responder às solicitações durante o processo de transição.

Transição começa com desafios fiscais

O decreto estabelece um calendário rigoroso para o fechamento financeiro de 2026, mas a situação das obras paralisadas e a necessidade de recursos adicionais colocam questões importantes para a próxima administração.

A equipe de Lorenzo Pazolini terá de analisar os contratos em andamento, os compromissos financeiros assumidos pelo Estado e as necessidades de investimentos para a retomada de obras.

A transição administrativa, portanto, não envolve apenas a transferência de cargos e secretarias. Também exige um diagnóstico detalhado das contas públicas, dos contratos e das obrigações que serão herdadas pelo próximo governo.

O desafio será garantir a continuidade dos serviços públicos, dar transparência à situação financeira do Estado e definir quais compromissos precisarão de atenção imediata a partir de janeiro de 2027.

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