PP e Da Vitória se afastam do palanque de Ricardo Ferraço e Casagrande no segundo turno

Rompimento político expõe divergências nos bastidores da aliança governista e pode afetar a mobilização de lideranças municipais na disputa pelo Governo do Espírito Santo

Uma das principais alianças políticas do Espírito Santo enfrenta um novo desgaste no segundo turno das eleições estaduais. O Progressistas (PP), sob a liderança do deputado federal Josias da Vitória, teria deixado de atuar na campanha de Ricardo Ferraço (MDB), candidato ao Governo do Estado, e do ex-governador Renato Casagrande (PSB).

A informação foi publicada nesta sexta-feira (16) pelo colunista Vitor Vogas, de A Gazeta. Segundo a apuração, o afastamento ocorre após divergências entre Da Vitória e Casagrande, que até recentemente mantinham uma relação política de proximidade.

O movimento chama a atenção porque o PP integra a Federação União Progressista, formada com o União Brasil, e havia declarado apoio à candidatura de Ricardo Ferraço em março deste ano.

Divergências durante a campanha

De acordo com fontes ligadas ao PP ouvidas pela coluna, Da Vitória atribui a Casagrande parte da responsabilidade pelo rompimento. O deputado teria ficado insatisfeito com a atuação do ex-governador durante a campanha para a Câmara Federal.

Segundo essa versão, Casagrande teria trabalhado para fortalecer candidaturas de sua preferência, especialmente a de Manu, do PSB, em municípios onde Da Vitória também buscava apoio para sua reeleição.

O deputado federal acabou reeleito, assim como Manu, mas as articulações teriam deixado um desgaste entre os grupos políticos.

Já interlocutores ligados a Casagrande apresentam uma interpretação diferente. Conforme a reportagem de A Gazeta, aliados do ex-governador classificam o afastamento como uma quebra de compromisso e afirmam que as justificativas apresentadas pelo grupo de Da Vitória seriam uma forma de explicar a mudança de posicionamento.

As duas versões evidenciam a dimensão do conflito nos bastidores da política capixaba.

Relação já apresentava sinais de desgaste

O distanciamento não teria começado apenas durante o segundo turno. A reportagem aponta que as divergências se acumularam ao longo dos últimos anos, mesmo com o PP ocupando espaços tanto na administração estadual quanto na Prefeitura de Vitória, comandada anteriormente por Lorenzo Pazolini (Republicanos).

Outro episódio citado envolve a escolha do candidato a vice-governador na chapa de Ricardo Ferraço. O PP defendia o nome do vereador de Vitória Camillo Neves, que acabou confirmado na composição.

Segundo a coluna, integrantes do grupo de Da Vitória também demonstraram insatisfação com articulações envolvendo outros nomes da base governista durante a formação das chapas eleitorais.

Esses episódios teriam contribuído para o enfraquecimento da relação entre as lideranças.

Encontro com Pazolini aumenta atenção sobre o movimento

Um dos sinais que chamaram a atenção no cenário político foi o encontro entre Da Vitória, o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, e Lorenzo Pazolini.

A reunião ocorreu na sexta-feira, dia 9 de outubro, e foi divulgada nas redes sociais do candidato do Republicanos.

O encontro ganhou relevância diante do afastamento relatado entre o PP e o grupo de Ricardo Ferraço. Apesar disso, a reunião, por si só, não comprova um acordo formal de apoio à candidatura de Pazolini.

Impacto na disputa pelo Governo do Estado

O PP possui lideranças com atuação na Grande Vitória e em municípios do interior, além de prefeitos, vereadores e representantes com influência nas articulações locais.

Por isso, o eventual afastamento da estrutura partidária da campanha de Ricardo Ferraço pode representar uma mudança importante na organização política do segundo turno.

A principal questão é saber se o distanciamento ficará restrito às lideranças estaduais ou se também se refletirá na atuação das bases municipais e dos apoiadores da federação.

Até a publicação da reportagem de A Gazeta, o cenário descrito era de afastamento na prática, sem que isso significasse necessariamente uma ruptura formal da aliança partidária.

Com a disputa pelo Palácio Anchieta em andamento, as próximas movimentações de Da Vitória, Casagrande e Ricardo Ferraço deverão esclarecer a dimensão do rompimento e seus efeitos sobre a articulação política no Espírito Santo.

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