Imagens do sistema de monitoramento devem auxiliar a perícia na identificação do ponto onde o fogo começou; cerca de 2,1 milhões de processos foram atingidos.
As imagens registradas pelo sistema de videomonitoramento do galpão que abriga o Arquivo Público do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), na Serra, poderão contribuir para a investigação do incêndio que destruiu parte do acervo da instituição na última terça-feira (21).
De acordo com o Corpo de Bombeiros, os registros das câmeras podem indicar a área onde as chamas tiveram início, facilitando o trabalho da perícia na delimitação do ponto de origem do incêndio.
As investigações são realizadas em conjunto pelo Corpo de Bombeiros e pela Polícia Científica. Segundo a corporação, a entrada dos peritos no interior do galpão só foi possível após a redução da temperatura e o avanço das operações de rescaldo, já que o calor intenso impedia o acesso seguro ao local.
Ainda conforme os bombeiros, não há confirmação sobre a causa do incêndio. A definição dependerá da conclusão dos laudos técnicos elaborados durante a perícia.
Nesta quarta-feira (22), as equipes permaneceram no local realizando o rescaldo e eliminando focos de calor remanescentes. Máquinas pesadas cedidas pela Prefeitura da Serra foram utilizadas para remover materiais e permitir o acesso às áreas mais afetadas.
O laudo técnico do Corpo de Bombeiros tem prazo inicial de 20 dias para ser concluído, mas poderá ser prorrogado em razão da dimensão do imóvel e da complexidade da investigação.
Segundo o Tribunal de Justiça do Espírito Santo, o incêndio atingiu aproximadamente 2,1 milhões de processos físicos arquivados no galpão. A instituição informou que todos os documentos já pertenciam a ações encerradas, sendo que parte do acervo havia sido digitalizada e outra já estava autorizada para descarte.
Além dos processos, cerca de 10,7 mil bens inservíveis armazenados no espaço também foram destruídos. Os materiais estavam avaliados em aproximadamente R$ 1 milhão e seriam destinados a leilão.
O TJES destacou que o funcionamento do Judiciário não será afetado e informou que, caso algum processo físico destruído ainda seja necessário, existem mecanismos legais para restauração dos autos.
Após o incêndio, o tribunal instituiu um Comitê de Articulação Emergencial, responsável por acompanhar os levantamentos dos danos, coordenar as ações de recuperação do acervo e definir medidas para preservar os documentos que não foram atingidos pelas chamas.
