Caso Apex entra na mira da Polícia Federal no Espírito Santo

Investigação federal vai apurar possíveis irregularidades envolvendo o grupo empresarial e fatos relacionados à crise financeira que veio a público em agosto

A crise envolvendo a Apex Partners ganhou uma nova dimensão. A Polícia Federal no Espírito Santo abriu investigação para apurar possíveis irregularidades relacionadas ao grupo e eventuais crimes previstos na legislação que protege o sistema financeiro nacional.

O procedimento teve origem em informações encaminhadas aos órgãos do Ministério Público e deverá reunir documentos e elementos que já foram apresentados em processos relacionados à situação financeira da empresa.

A investigação ocorre paralelamente às disputas judiciais envolvendo a administração e o patrimônio das empresas ligadas ao grupo.

Investigação começou após denúncia

Segundo as informações encaminhadas ao Ministério Público Federal, uma das comunicações partiu da própria Apex Partners Gestão de Ativos.

O material relata fatos relacionados à administração da companhia e apresenta suspeitas sobre operações e decisões que teriam contribuído para o cenário de dificuldades financeiras enfrentado pelo grupo.

As informações foram inicialmente levadas ao Ministério Público do Espírito Santo e posteriormente encaminhadas à esfera federal.

Como o caso envolve possíveis crimes de competência federal, a Polícia Federal passou a atuar na apuração.

Crise financeira expôs disputa interna

A situação da Apex veio a público após uma mudança na administração do grupo.

O então presidente Fernando Antonio Kulnig Cinelli foi afastado das funções executivas em meio a questionamentos relacionados à gestão da companhia.

Posteriormente, decisões judiciais ampliaram o afastamento para outras empresas vinculadas ao grupo.

A Justiça também determinou medidas envolvendo patrimônio e informações bancárias de Cinelli, enquanto os processos passaram a discutir a origem e a extensão das dificuldades financeiras.

Dívida chegou a quase R$ 1 bilhão

No processo judicial, o grupo informou um passivo de aproximadamente R$ 975 milhões.

A dimensão da dívida levou as empresas a buscar proteção judicial contra credores e abriu uma série de disputas relacionadas à reorganização financeira e administrativa do conglomerado.

Paralelamente, uma apuração interna teria apontado o que foi classificado como “inconsistências financeiras”.

Agora, a Polícia Federal deverá verificar se os fatos relatados podem configurar crimes e quem eventualmente poderá ser responsabilizado.

Ex-presidente nega irregularidades

Cinelli nega as acusações feitas contra ele.

A defesa sustenta que o empresário sempre desempenhou suas funções de maneira responsável e transparente e afirma que os fatos precisam ser examinados com base em documentos e em uma análise independente.

Os advogados também contestam interpretações apresentadas em processos judiciais e defendem que todas as circunstâncias envolvendo a administração da empresa sejam devidamente esclarecidas.

O que a PF vai investigar

A investigação federal poderá analisar contratos, movimentações financeiras, decisões administrativas, documentos societários e outras informações relacionadas à crise.

Entre as hipóteses que poderão ser avaliadas estão eventuais práticas previstas na legislação de crimes contra o sistema financeiro.

Por enquanto, não existe conclusão de que os investigados tenham cometido crimes. A abertura do inquérito representa o início de uma apuração para verificar se houve irregularidades e quais seriam suas eventuais responsabilidades.

O caso permanece sob sigilo e deverá ganhar novos capítulos à medida que a Polícia Federal avance na análise dos documentos e das informações reunidas durante a investigação.

spot_img

Ultimos acontecimentos

Leia Também