A disputa pelo Governo do Espírito Santo começa a movimentar também os bastidores de um possível segundo turno. O governador Ricardo Ferraço (MDB) deu sinais de que pode haver espaço para diálogo com o PT, caso enfrente Lorenzo Pazolini (Republicanos) na etapa decisiva das eleições.
A possibilidade representa um movimento político importante no cenário capixaba. Ricardo Ferraço não possui proximidade histórica com o Partido dos Trabalhadores, mas o grupo político liderado por Renato Casagrande (PSB) já governou o Espírito Santo com participação petista em diferentes momentos.
O eventual entendimento dependeria, naturalmente, do resultado do primeiro turno. O PT tem candidatura própria ao Governo do Estado, com Helder Salomão, e a prioridade do partido é disputar a eleição com seu próprio projeto.
Entretanto, caso Helder fique fora do segundo turno, a tendência é que o partido passe a discutir qual posição adotará na nova fase da eleição.
Pazolini pode ser fator de aproximação
Um eventual confronto entre Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini poderia criar um cenário político completamente diferente do atual.
Pazolini tem adotado uma posição mais identificada com setores da direita e estabelecido alianças que dificultam qualquer possibilidade de aproximação com o PT. O próprio Helder Salomão já havia indicado anteriormente que, em um segundo turno, existiria possibilidade de diálogo com Ricardo, mas não com Pazolini.
Isso pode transformar o segundo turno em uma disputa capaz de reunir, de um lado, forças políticas que hoje estão separadas no primeiro turno.
Primeiro turno ainda é prioridade
Apesar das articulações de bastidores, a eleição ainda está em sua primeira fase e os candidatos seguem concentrados na busca por votos.
Pesquisas recentes mostram Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini como os principais nomes da disputa, enquanto Helder Salomão aparece em terceiro lugar em levantamentos divulgados nos últimos dias.
A definição sobre apoios, entretanto, tende a ganhar força somente após o resultado do primeiro turno.
Tabuleiro pode mudar
Caso Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini avancem para o segundo turno, a eleição poderá provocar uma ampla reorganização das forças políticas no Espírito Santo.
Partidos que hoje possuem candidaturas próprias poderão ser obrigados a escolher lados. E, nesse cenário, o apoio do PT pode se tornar um dos fatores mais importantes da disputa.
O gesto de Ricardo ao não fechar completamente a porta para o diálogo demonstra que, na política, alianças consideradas improváveis no primeiro turno podem se tornar fundamentais quando a disputa se reduz a apenas dois candidatos.
