Menina de 11 anos manda mensagem a familiares e padrasto é preso por suspeita de abuso sexual na Serra

Polícia Civil descobriu que investigado já havia sido indiciado por abuso contra a mesma criança em 2020; mãe também foi indiciada por suposta omissão

Uma menina de 11 anos conseguiu pedir ajuda a familiares por meio de mensagens de celular e acabou sendo retirada de casa após relatar que sofria abusos sexuais praticados pelo padrasto, na Serra, no Espírito Santo.

O homem foi preso em flagrante na última sexta-feira (28), depois que familiares procuraram a Polícia Civil e apresentaram o relato da criança. A prisão ocorreu enquanto o suspeito trabalhava em Vitória e, posteriormente, foi convertida em preventiva pela Justiça.

O caso foi divulgado nesta quinta-feira (3) pela Polícia Civil durante uma coletiva de imprensa realizada em Vitória.

Pedido de socorro pelo celular

Segundo a investigação, na noite de quarta-feira (26), a menina utilizou o próprio celular para enviar mensagens a um tio pedindo ajuda.

Diante do conteúdo das mensagens, familiares decidiram agir. Na manhã de sexta-feira, quando o padrasto havia saído para trabalhar, um tio biológico e uma tia de consideração foram até a residência e retiraram a criança do local.

Ela foi levada à Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), onde recebeu atendimento da equipe psicossocial.

A menina também passou por exame no Instituto Médico-Legal (IML). Segundo a Polícia Civil, o laudo apontou vestígios de violência sexual.

Investigado já havia sido indiciado

Durante o andamento da nova investigação, os policiais descobriram que o suspeito já havia sido investigado anteriormente pelo mesmo tipo de crime contra a menina.

Em 2020, quando a criança tinha aproximadamente 5 anos, a própria mãe havia registrado uma ocorrência contra o companheiro.

Naquele momento, o homem chegou a ser indiciado. O procedimento foi encaminhado à Justiça, que solicitou a realização de depoimento especial da criança.

Entretanto, antes que o depoimento fosse realizado, a família deixou o Espírito Santo e passou por outros estados. Com a mudança, a Justiça não conseguiu localizar a mãe e a menina, e o processo acabou paralisado.

Abusos teriam continuado

A nova investigação indica que os episódios teriam voltado a ocorrer meses antes do pedido de socorro.

Segundo o relato prestado pela criança à equipe psicossocial, os abusos teriam acontecido enquanto a família estava na Bahia, aproximadamente quatro ou cinco meses antes da denúncia.

Cerca de um mês atrás, a família retornou ao Espírito Santo e passou a morar novamente na Serra. De acordo com a investigação, os abusos teriam continuado após o retorno.

O padrasto foi localizado pelos policiais em Vitória e levado para a delegacia. Durante o interrogatório, ele negou as acusações.

Mãe também foi indiciada

A mãe da menina também entrou no radar da investigação e foi indiciada por omissão imprópria.

A mulher afirmou à polícia que somente tomou conhecimento dos abusos recentes na sexta-feira, quando foi procurada pela tia da criança.

A versão apresentada pela menina, porém, é diferente. Segundo a Polícia Civil, ela teria contado que pediu ajuda à mãe diversas vezes, mas não teria recebido a proteção necessária.

Os investigadores também consideraram que a mãe já havia registrado uma ocorrência contra o companheiro em 2020, quando surgiu a primeira suspeita de abuso contra a filha.

A mulher não foi presa.

Crianças permanecem com a mãe

A família possui outros três filhos. Segundo a Polícia Civil, não foram identificados, até o momento, indícios de que os irmãos da menina tenham sido vítimas de abuso.

As crianças permanecem sob os cuidados da mãe.

A Polícia Civil ressaltou que a iniciativa dos tios foi fundamental para interromper a situação e levar o caso às autoridades.

O inquérito já foi concluído e encaminhado à Justiça. O padrasto permanece preso preventivamente enquanto o processo segue seus trâmites.

Por envolver uma criança, a identidade da vítima e outras informações que possam permitir sua identificação são preservadas.

O homem é investigado e responde ao processo sem condenação definitiva. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, com direito à ampla defesa e ao contraditório.

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