Paralisação afetou coleta em regiões movimentadas da cidade e terminou após intervenção judicial e atuação das forças de segurança
Moradores de diversos bairros de Vila Velha amanheceram nesta terça-feira com ruas tomadas por sacos de lixo após a paralisação dos trabalhadores da coleta urbana. Entre os locais afetados estavam Centro, Praia da Costa, Itaparica, Itapuã e Guaranhuns.

A greve começou na tarde de segunda-feira depois que o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Limpeza e Conservação do Espírito Santo (Sindilimpe-ES) contestou demissões realizadas pela empresa responsável pelo serviço na cidade.
Segundo o sindicato, os desligamentos teriam ocorrido em massa e motivaram a mobilização em frente à sede da empresa Localix Serviços Ambientais. A Prefeitura de Vila Velha negou que tenha havido demissão coletiva irregular.
Durante o protesto, caminhões de coleta foram impedidos de sair da garagem da empresa, comprometendo o serviço em vários bairros do município. A situação gerou tumulto e mobilizou equipes da Guarda Municipal.
Vídeos registrados no local mostraram momentos de empurra-empurra e confronto entre manifestantes e agentes de segurança. Trabalhadores relataram uso de balas de borracha e spray de pimenta durante a dispersão.
A presidente do sindicato chegou a ser detida sob acusação de desacato e resistência, mas foi liberada ainda no mesmo dia.
A Justiça do Trabalho determinou a liberação imediata da entrada e saída de veículos da empresa e estabeleceu multa diária de R$ 100 mil ao sindicato em caso de descumprimento da decisão judicial.
Segundo a Prefeitura, a coleta voltou à normalidade por volta das 10h30 desta terça-feira após a notificação oficial da decisão judicial ao sindicato.
Em nota, a Localix afirmou que todos os salários e direitos trabalhistas estariam em dia e classificou a paralisação como ilegal. A empresa também informou que acionou a Polícia Militar para garantir o cumprimento da liminar e a retomada do serviço.
Já o sindicato criticou a atuação da Guarda Municipal e afirmou que o movimento era pacífico. Parlamentares ligados à esquerda, entre eles a deputada federal Jackeline Rocha e a senadora Iriny Lopes, também se manifestaram nas redes sociais em apoio aos trabalhadores e contra a abordagem policial.
A paralisação reacendeu o debate sobre terceirização de serviços essenciais, relações trabalhistas e os impactos diretos que greves na limpeza urbana causam à população.
