Empresário preso por fraude em terrenos também é investigado por supostos golpes com energia solar no ES

Preso por suspeita de aplicar fraudes na venda de terrenos em Vila Velha, o empresário Vinicius Pires da Silva Allazio, de 40 anos, também é investigado por supostos golpes envolvendo a comercialização de sistemas de energia solar no Espírito Santo. Clientes da empresa VP Solar afirmam ter pago por equipamentos e serviços de instalação que não foram entregues.

Vinicius foi preso no último dia 9 de julho durante uma investigação sobre um loteamento irregular na Barra do Jucu. Segundo a Polícia Civil, ele negociava terrenos de forma ilegal utilizando documentos empresariais para dar aparência de legalidade às transações.

Além desse caso, o empresário também é alvo de outro inquérito por estelionato relacionado ao setor de energia solar. De acordo com a investigação, consumidores realizaram pagamentos por sistemas fotovoltaicos que não chegaram a ser instalados.

Entre as vítimas estão uma aposentada de 85 anos, moradora de Fundão, que afirma ter desembolsado R$ 50 mil de entrada em um contrato de R$ 65 mil, e uma igreja da Serra, que diz ter investido quase R$ 65 mil na compra de um sistema de energia solar sem receber os equipamentos dentro do prazo previsto.

Advogados que representam clientes afirmam que existem centenas de ações judiciais envolvendo empresas ligadas ao grupo VP Solar. Segundo estimativas apresentadas pela defesa das vítimas, os prejuízos cobrados em processos podem ultrapassar R$ 10 milhões.

Outro advogado que atua em ações contra a empresa informou que apenas três clientes representados por seu escritório acumulam perdas superiores a R$ 1 milhão. Em alguns processos, a Justiça já autorizou a penhora de imóveis e veículos para garantir eventual ressarcimento.

O Ministério Público do Espírito Santo informou que as investigações sobre a venda irregular de terrenos são consideradas complexas e solicitou a quebra do sigilo dos dados do celular apreendido com o empresário. O objetivo é identificar possíveis envolvidos, analisar movimentações financeiras e compartilhar provas com outras unidades da Polícia Civil que apuram casos semelhantes.

Em nota, a defesa de Vinicius afirmou que o empresário busca firmar acordos com clientes e credores para resolver as pendências nas esferas cível, criminal e trabalhista. O advogado também declarou que a prisão preventiva teria sido decretada após uma mudança de endereço que não foi comunicada ao processo e informou que já pediu à Justiça a revogação da medida.

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