a pesquisa presidencial, Flávio Bolsonaro aparece com 39,17% das intenções de voto no cenário estimulado, contra 37,44% de Lula. Considerando apenas os votos válidos, o senador registra 43,86%, enquanto o presidente chega a 41,93%. A pesquisa ouviu 1.800 eleitores em 50 municípios do Espírito Santo entre 29 de setembro e 2 de outubro, com margem de erro de 2,31 pontos percentuais.
Na corrida pelo Governo do Estado, Lorenzo Pazolini aparece com 36,89%, contra 33,50% de Ricardo Ferraço (MDB). A diferença de 3,39 pontos também está dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 2,31 pontos para mais ou para menos.
O dado que chama atenção é que Pazolini também lidera numericamente na pesquisa espontânea, com 28,28%, contra 26,78% de Ricardo.
A hipótese do voto casado
Com Flávio Bolsonaro liderando numericamente a disputa presidencial no Espírito Santo e Pazolini aparecendo à frente na corrida estadual, surge uma questão sobre o comportamento do eleitor de direita: até que ponto parte desse eleitorado poderá repetir a escolha política nas duas urnas?
A chamada “repetição do voto” — escolhendo Flávio para presidente e Pazolini para governador — pode ser um dos movimentos observados na apuração, caso efetivamente ocorra.
Entretanto, as pesquisas divulgadas até agora não apresentam o cruzamento individual entre voto para presidente e voto para governador. Portanto, não é possível afirmar quantos eleitores de Flávio também pretendem votar em Pazolini.
O cenário estadual permanece apertado. No segundo turno entre Pazolini e Ricardo, a pesquisa Perfil registra 42,33% para Ricardo e 41,17% para Pazolini no cenário estimulado. Nos votos válidos, são 50,69% contra 49,30%.
Eleição presidencial pode influenciar disputa estadual?
O Espírito Santo apresenta um eleitorado dividido. Segundo a pesquisa Perfil, 35,33% dos entrevistados se identificam como independentes, enquanto 23,17% se definem como de direita e bolsonaristas e 23,22% como de esquerda e lulistas.
Esse quadro indica que existe um contingente expressivo de eleitores que não se identifica diretamente com nenhum dos dois principais campos políticos nacionais.
Por isso, embora a eventual repetição do voto entre Flávio e Pazolini possa ter impacto na disputa estadual, o resultado dependerá também dos eleitores independentes, dos votos de outros candidatos e daqueles que eventualmente decidam de maneira diferente para presidente e governador.
Ricardo e Pazolini chegam separados por poucos pontos
A evolução das pesquisas mostra uma disputa concentrada entre os dois candidatos. No levantamento anterior do Instituto Perfil, realizado entre 21 e 24 de setembro, Pazolini tinha 36,94% e Ricardo 33,94%, também dentro da margem de erro.
Com poucos dias para a votação, a eventual migração ou consolidação de votos pode alterar a fotografia apresentada pelas pesquisas. A própria pesquisa mais recente aponta que 78,44% dos entrevistados afirmam já ter decidido definitivamente o voto para governador, enquanto 13,89% ainda admitem possibilidade de mudança.
Assim, a principal questão colocada para a reta final é saber se o eleitor que escolher Flávio Bolsonaro para presidente também repetirá a opção pelo campo político representado por Pazolini na disputa estadual.
A resposta, porém, somente poderá ser conhecida de forma definitiva com a abertura das urnas.
