A disputa pela vaga de vice-governador na chapa de Ricardo Ferraço (MDB) começa a se transformar em um dos principais pontos de tensão da eleição de 2026 no Espírito Santo. Em meio às pressões de partidos e lideranças que integram sua ampla base política, o governador decidiu marcar posição e deixar claro que ouvirá os aliados, mas caberá a ele dar a palavra final.
“No fim do dia, quem vai decidir sou eu”, afirmou Ricardo ao comentar as movimentações em torno da composição de sua chapa.
A declaração ocorre em um momento delicado da articulação governista. A Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, reivindica a indicação do candidato a vice e considera o espaço compatível com o tamanho e a importância política do grupo dentro da aliança.
Do outro lado, cresce uma movimentação em defesa do ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal (PDT). O nome tem recebido apoio público de aliados de Ricardo, entre eles os prefeitos Euclério Sampaio, de Cariacica, e Enivaldo dos Anjos, de Barra de São Francisco.
Vidigal continua no jogo
Ao contrário do que poderia desejar a Federação União Progressista, Ricardo não fechou a porta para Vidigal. O governador confirmou que o ex-prefeito serrano está entre os nomes que serão avaliados para ocupar a vice.
A posição mantém aberta uma disputa que pode ser decisiva para o desenho eleitoral governista.
Vidigal traz para a mesa seu histórico eleitoral e sua presença política na Serra, segundo maior colégio eleitoral do Espírito Santo. Já a Federação União Progressista apresenta como principal argumento sua estrutura partidária, número de lideranças e peso eleitoral dentro da coalizão.
Ricardo terá, portanto, de encontrar uma solução capaz de preservar sua frente de aliados sem permitir que a escolha do vice se transforme em uma divisão interna às vésperas da campanha.
Federação pressiona por espaço
Nos últimos dias, a relação entre a Federação União Progressista e o grupo governista entrou em uma fase de maior tensão.
Comandada no Estado por lideranças como o deputado federal Da Vitória e o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, a federação entende que deve participar diretamente da composição majoritária.
A insatisfação ficou ainda mais evidente com o adiamento da convenção da federação para 5 de agosto, mesma data prevista para a convenção do MDB.
Apesar da pressão, Ricardo procurou demonstrar confiança na permanência do grupo em sua aliança e sinalizou que a federação terá papel relevante não apenas durante a eleição, mas também em uma eventual nova administração.
O governador, entretanto, evitou garantir que esse protagonismo necessariamente significará a indicação do vice.
Ricardo tenta preservar autoridade sobre a chapa
Politicamente, a manifestação do governador também pode ser interpretada como um recado interno.
Ricardo construiu uma ampla coalizão para disputar a permanência no Palácio Anchieta. Quanto maior a aliança, porém, maior também é a quantidade de interesses que precisam ser acomodados.
Ao dizer que ouvirá todos, mas decidirá pessoalmente, Ricardo tenta estabelecer um limite para as pressões.
A estratégia é manter os canais de diálogo abertos sem transmitir a impressão de que a composição de sua chapa será definida por ultimatos de partidos ou lideranças.
Escolha do vice virou teste para a aliança
A poucos dias das definições partidárias, a escolha deixou de ser apenas uma discussão sobre quem ocupará a vice e passou a representar um teste para a capacidade de articulação política de Ricardo Ferraço.
De um lado está uma federação com estrutura partidária e peso considerável na campanha. Do outro, aliados defendendo Sérgio Vidigal como uma alternativa capaz de agregar força eleitoral à chapa.
Ricardo tenta equilibrar os dois lados.
Mas deixou um aviso suficientemente claro para todos os integrantes de sua base: haverá diálogo, negociação e tentativa de consenso — mas a caneta que definirá o vice continuará em suas mãos.
