Júri de acusado de matar namorada começa em Vitória sem presença do réu

Matheus Stein Pinheiro é acusado de matar Ana Carolina Kurth com mais de 40 facadas; pedido para que ele deixasse o plenário partiu da primeira testemunha

Começou nesta quinta-feira (17), no Fórum Criminal de Vitória, o julgamento de Matheus Stein Pinheiro, acusado de matar a namorada, Ana Carolina Rocha Kurth, de 24 anos, em maio de 2023.

O júri teve início sem a presença do réu no plenário. A solicitação para que Matheus não acompanhasse o depoimento partiu da primeira testemunha ouvida, o psiquiatra forense Henderson Eduarth Schwengber, que atua como perito da família da vítima.

Acusação aponta feminicídio

Ana Carolina foi encontrada morta no apartamento onde morava com Matheus, no Centro de Vitória. Segundo a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), a jovem foi assassinada com mais de 40 golpes de faca.

O Ministério Público acusa Matheus de homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, recurso que teria dificultado a defesa da vítima e feminicídio, em contexto de violência doméstica e familiar.

O crime aconteceu depois de um período em que, segundo a acusação, o relacionamento era marcado por conflitos e ciúmes.

Réu deixou Vitória após o crime

Após o assassinato, segundo as investigações, Matheus tomou banho, trocou de roupa e deixou o apartamento.

Ele seguiu até a rodoviária de Vitória, comprou uma passagem de ônibus para Conceição da Barra, no Norte do Espírito Santo, e deixou a capital. O acusado foi preso dois dias depois pela Polícia Civil.

Defesa questiona capacidade mental

Um dos principais pontos do julgamento envolve a condição mental do acusado.

A defesa apresentou laudos psiquiátricos ao longo do processo e sustenta que Matheus apresentava transtornos mentais que poderiam ter comprometido sua capacidade de compreender os atos praticados.

Em 2024, entretanto, uma decisão da Justiça rejeitou os laudos apresentados, apontando problemas nas conclusões dos especialistas. Com isso, o processo continuou e o acusado foi levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.

A defesa sustenta que não busca impunidade, mas o reconhecimento da condição mental do acusado e a aplicação da medida considerada adequada ao caso.

Família acompanha julgamento

Antes do início da sessão, familiares de Ana Carolina fizeram uma manifestação em frente ao Fórum Criminal de Vitória. Eles usaram camisetas com a fotografia da jovem e acompanharam o início do julgamento.

Cerca de 70 pessoas, entre familiares e estudantes de Direito, acompanham a sessão no plenário.

A previsão é de que dez testemunhas sejam ouvidas durante o julgamento, incluindo profissionais da área médica. A sessão poderá se estender por dois dias, embora exista a possibilidade de conclusão ainda nesta quinta-feira.

O resultado do júri definirá a responsabilidade criminal de Matheus pelos crimes que constam na acusação.

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