A Câmara Municipal de Vitória aprovou por unanimidade, nesta segunda-feira (20), a abertura de uma comissão processante para analisar a situação do vereador Baiano do Salão (Podemos). O parlamentar foi condenado em primeira instância a 31 anos de prisão por estupro de vulnerável, mas responde ao processo em liberdade.
Após a aprovação, foram definidos por sorteio os três vereadores que integrarão a comissão: Ana Paula Rocha (PSOL), Armandinho Fontoura (PL) e João Flávio (MDB). Em reunião entre os integrantes, João Flávio foi escolhido presidente e Armandinho assumiu a relatoria dos trabalhos.
Baiano do Salão não participou da sessão, alegando problemas de saúde. Durante o debate, o presidente da Câmara, Anderson Goggi (Republicanos), defendeu que o vereador solicite licença do cargo para evitar desgaste à imagem do Legislativo. Já os vereadores Luiz Emanuel e Davi Esmael (Republicanos) informaram que recorreram à Justiça para impedir que o parlamentar frequente a Câmara enquanto o caso segue em andamento.
Na sessão, vereadores afirmaram que a existência das acusações já era conhecida internamente. Segundo eles, como o processo tramitava sob segredo de Justiça e ainda não havia condenação, a Câmara aguardou o avanço da ação judicial antes de adotar providências.
Os parlamentares também destacaram que Baiano terá direito à ampla defesa tanto na esfera judicial quanto no processo administrativo conduzido pela comissão. O grupo terá até 90 dias para concluir os trabalhos e apresentar um parecer.
Trajetória política
Orlandino Rodrigues de Souza, conhecido como Baiano do Salão, foi eleito vereador de Vitória em 2024 com pouco mais de 2 mil votos. Antes disso, disputou eleições em 2016 e 2020, ficando na suplência. Em 2022, chegou a exercer temporariamente o mandato durante a licença de um vereador titular.
Natural de Itamaraju, na Bahia, Baiano construiu sua trajetória no Bairro da Penha, onde atuou como cabeleireiro, servidor público estadual e presidente da associação de moradores por vários mandatos. No Legislativo, concentrou sua atuação em demandas comunitárias e integrou a base de apoio das administrações municipais recentes.
Os fatos que motivaram a condenação ocorreram em 2020 e envolvem acusações de estupro de vulnerável e lesão corporal contra uma criança de cinco anos. O processo segue sob segredo de Justiça.
Partido inicia medidas disciplinares
Após a divulgação da sentença, o Podemos informou que instaurou um processo disciplinar interno que poderá resultar na expulsão do vereador da legenda. A sigla também anunciou que estuda medidas judiciais para buscar a perda do mandato, caso haja fundamento legal.
Nos bastidores, o partido já orientou o primeiro suplente, Sebastião Luiz, liderança comunitária do bairro Jaburu, a permanecer de sobreaviso diante da possibilidade de assumir a cadeira na Câmara caso haja afastamento definitivo do parlamentar.
