Uso indevido de dados sigilosos por policiais amplia crise na segurança do ES

Uma investigação sobre o suposto uso irregular de dados sigilosos por agentes públicos no Espírito Santo avançou para uma nova etapa e passou a ser analisada pelo Ministério Público Estadual (MPES). O caso envolve policiais civis, incluindo um delegado, e tramita sob sigilo.

O inquérito foi concluído pela Polícia Civil e encaminhado à Justiça. Agora, cabe ao MPES avaliar as informações reunidas e decidir se oferece denúncia ou solicita novas diligências. Em nota, o órgão confirmou o recebimento do material, mas afirmou que não pode divulgar detalhes devido ao caráter sigiloso da apuração.

A Polícia Civil, por meio da Corregedoria-Geral, também informou que abriu procedimento administrativo para investigar possíveis irregularidades. Até o momento, não houve afastamento ou mudança de função dos servidores citados.

A apuração ocorre em meio a um cenário recente de tensões internas na segurança pública estadual. Um dos nomes mencionados no contexto das investigações é o do delegado Romualdo Gianordoli, que ocupou o cargo de subsecretário de Inteligência até ser exonerado em 2025, após divergências com a cúpula do governo.

Na época, o governo atribuiu a saída a problemas de relacionamento e ao uso inadequado de informações. Já o delegado afirmou que sua exoneração estaria ligada ao avanço de investigações sensíveis envolvendo o crime organizado.

O caso ganhou repercussão pública com trocas de acusações e declarações feitas nas redes sociais, o que levou à abertura de procedimentos internos na Polícia Civil. Paralelamente, o episódio também passou a ter reflexos no cenário político, com o delegado sendo citado em articulações eleitorais recentes.

Além disso, mudanças recentes no comando da corporação, como a saída do então chefe da Polícia Civil após anos no cargo, ocorreram em meio ao ambiente de crise e investigações envolvendo integrantes da instituição.

Apesar do avanço das apurações, ainda não há detalhes divulgados sobre quais dados teriam sido utilizados de forma irregular ou quais condutas específicas estão sendo atribuídas aos investigados.

Por se tratar de um tema sensível, que envolve acesso a informações restritas e atuação de agentes públicos, o caso segue sob sigilo. Os próximos passos dependem da análise do Ministério Público e de eventuais decisões judiciais.

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