O Tribunal de Justiça do Espírito Santo decidiu suspender a ordem que determinava a retirada de uma reportagem publicada pelo portal Acontecendo no Espírito Santo, que trata da evolução patrimonial da primeira-dama de Vila Velha. Com isso, o conteúdo segue disponível enquanto o caso ainda aguarda decisão definitiva.
A medida foi tomada após recurso apresentado pela defesa do veículo. Na análise inicial, o relator considerou que a exclusão imediata da reportagem poderia configurar restrição indevida à liberdade de imprensa, direito garantido pela Constituição.
A matéria questionada aborda o crescimento patrimonial da primeira-dama e menciona a criação de empresas ligadas ao núcleo familiar, levantando pontos que, segundo o portal, são de interesse público e passíveis de investigação pelos órgãos competentes.
O pedido de retirada foi feito pelo prefeito Arnaldinho Borgo e por sua esposa, sob a alegação de danos à imagem. Em primeira instância, a Justiça havia determinado a remoção do conteúdo, decisão que acabou sendo revertida em caráter liminar.

Ao reavaliar o caso, o magistrado destacou que o tema envolve agentes públicos e questões como transparência e possível conflito de interesses, o que justifica a divulgação jornalística. Segundo a decisão, eventuais excessos devem ser analisados posteriormente, por meio de instrumentos legais adequados, e não por censura prévia.
Outro ponto citado é que os fatos mencionados na reportagem já estariam sob análise de órgãos de controle, reforçando o caráter informativo da publicação.
Investigações em andamento
Paralelamente, o caso também passou a ser apurado por autoridades. A Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor) instaurou procedimento para investigar possíveis irregularidades, a partir de uma denúncia apresentada no município.

De acordo com o Ministério Público do Espírito Santo, a representação aponta que o prefeito teria atuado como sócio-administrador de uma empresa aberta durante o exercício do mandato, o que pode contrariar normas aplicáveis a agentes públicos.
Entre as empresas citadas estão A4 Holding Ltda., Ardepe Variedades Ltda. e Galone Barcelos Luminárias Ltda. A denúncia também levanta questionamentos sobre a evolução patrimonial e possíveis relações com contratos públicos.
O caso segue em apuração, tanto na esfera judicial quanto nos órgãos de investigação.
