Defesa Civil alerta para temperaturas acima da média, estiagem prolongada e possíveis impactos na agricultura e na conta de energia.
O fenômeno Super El Niño deve começar a influenciar o clima no Espírito Santo a partir de agosto e pode provocar uma série de impactos no Estado, como aumento dos casos de dengue, maior risco de incêndios florestais, estiagem prolongada e até reflexos na conta de energia elétrica.
Segundo o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Benício Ferrari, a elevação das temperaturas favorece o ciclo de reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, o que pode contribuir para o aumento da circulação da doença. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES) também já havia alertado para esse cenário.
As previsões indicam que, entre agosto e setembro, as temperaturas poderão ficar cerca de 2°C acima da média para o período. Embora não sejam os meses mais quentes do ano, o calor acima do esperado pode influenciar diretamente na proliferação do mosquito.
Calor e ondas de calor
De acordo com a Defesa Civil, o El Niño poderá permanecer até o início de 2027. Caso isso ocorra, há possibilidade de temperaturas ainda mais elevadas durante o verão, embora ainda seja cedo para confirmar a intensidade do fenômeno.
O coronel explica que o evento também favorece a ocorrência de ondas de calor, provocadas pela permanência de sistemas de alta pressão que dificultam a chegada de frentes frias e mantêm o ar mais quente sobre o Estado.
Risco maior de incêndios
Outro efeito esperado é o aumento do risco de incêndios florestais. A combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade do ar, pouca chuva, ventos mais intensos e vegetação seca cria condições favoráveis para a propagação do fogo.
Apesar disso, a Defesa Civil ressalta que os incêndios têm origem em ações humanas, sejam elas acidentais ou criminosas.
Estiagem pode afetar agricultura
A previsão também aponta para um período de estiagem prolongada. Embora o Norte do Espírito Santo já esteja mais adaptado à escassez de água, regiões Serrana e Sul podem enfrentar maiores dificuldades devido à menor disponibilidade de sistemas de irrigação.
Segundo Ferrari, a falta de chuvas pode comprometer a floração das plantas, reduzir a produtividade agrícola e favorecer o surgimento de pragas, impulsionadas pelas temperaturas mais altas.
Energia pode ficar mais cara
O fenômeno também pode impactar o custo da energia elétrica. Com a redução do nível dos reservatórios das hidrelétricas, aumenta a necessidade de acionamento das usinas termelétricas, cuja geração possui custo mais elevado.
De acordo com a Defesa Civil, esse cenário pode refletir diretamente na tarifa de energia, caso o período de estiagem comprometa significativamente a disponibilidade de água nos reservatórios.
