Disputa pela vice coloca aliança de Ricardo Ferraço sob pressão e UP ameaça rever apoio

Federação formada por União Brasil e PP cobra espaço na chapa majoritária, enquanto articulação de prefeitos em torno de Sérgio Vidigal aumenta tensão na base governista

A definição do candidato a vice-governador na chapa de Ricardo Ferraço (MDB) virou um dos principais pontos de tensão nos bastidores da política capixaba às vésperas das convenções partidárias.

A Federação União Progressista (UP), formada por União Brasil e Progressistas (PP), reivindica o direito de indicar o vice de Ricardo e começa a demonstrar insatisfação diante do crescimento de uma articulação paralela para levar o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal (PDT) para a chapa.

O movimento em favor de Vidigal tem entre seus principais articuladores o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), e o prefeito da Serra, Enivaldo dos Anjos (PSB). A movimentação acendeu o sinal de alerta dentro da UP, que considera o espaço de vice fundamental para manter o acordo construído com Ricardo.

Federação aumenta pressão

Um dos sinais mais claros do aumento da tensão foi a decisão da União Progressista de adiar sua convenção partidária. Inicialmente prevista para 1º de agosto, a reunião foi transferida para o dia 5 de agosto, último dia permitido para a realização das convenções.

A nova data coincide justamente com a convenção do MDB.

Nos bastidores, a mudança é interpretada como uma estratégia para manter abertas todas as possibilidades até que Ricardo Ferraço e seus principais aliados definam definitivamente a composição da chapa.

Os dirigentes da federação, entre eles o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União Brasil), e o deputado federal Da Vitória (PP), defendem que o tamanho político da UP justifica sua presença na chapa majoritária.

União Brasil e PP elegeram, juntos, mais de 100 deputados federais em 2022. Além da estrutura partidária nos municípios, a federação representa uma parcela importante do tempo de propaganda eleitoral disponível para uma eventual coligação.

Conversas com grupo de Pazolini

Diante da indefinição, dirigentes da UP voltaram a manter conversas com integrantes do grupo político ligado a Lorenzo Pazolini (Republicanos), adversário de Ricardo na disputa pelo Governo do Estado.

As conversas envolvem lideranças como Erick Musso, presidente estadual do Republicanos, e o deputado federal Evair de Melo.

Isso não significa, até o momento, que exista uma decisão da federação de abandonar Ricardo. Entretanto, a movimentação amplia a pressão sobre o governador justamente no momento em que as alianças precisam ser formalizadas.

Entre os cenários discutidos está até mesmo a possibilidade de a UP seguir de maneira independente na eleição majoritária, concentrando esforços nas chapas para deputado estadual e federal.

Uma eventual aproximação definitiva com Pazolini representaria um cenário ainda mais delicado para Ricardo, já que transferiria para um adversário uma estrutura partidária considerada estratégica.

Vidigal ganha força nos bastidores

Enquanto a UP reivindica a vice, Sérgio Vidigal passou a ser defendido por integrantes importantes da base governista.

O ex-prefeito da Serra possui experiência eleitoral, reconhecimento na Grande Vitória e uma trajetória política consolidada. Mesmo tendo declarado anteriormente que não pretende disputar outro cargo eletivo, seu nome continua sendo colocado na mesa por aliados.

É justamente essa densidade eleitoral que fortalece o argumento daqueles que defendem Vidigal.

Por outro lado, a UP apresentou diferentes alternativas para ocupar a vaga, incluindo nomes ligados ao União Brasil e ao PP. A discussão, portanto, deixou de ser apenas sobre qual partido ficará com a vice e passou também pela capacidade eleitoral de quem será escolhido.

Ricardo terá que administrar interesses

O desafio de Ricardo Ferraço agora é encontrar uma composição capaz de preservar uma ampla frente partidária sem provocar uma ruptura às vésperas do início oficial da campanha.

A escolha do vice, que inicialmente poderia ser apenas mais uma etapa da montagem da chapa, transformou-se em uma disputa envolvendo alguns dos principais líderes políticos do Espírito Santo.

Com a convenção da União Progressista marcada para 5 de agosto, a tendência é que as negociações se intensifiquem nos próximos dias.

Até lá, Ricardo terá que administrar a pressão da federação, a articulação dos prefeitos em favor de Vidigal e o risco de ver um aliado importante buscar outro caminho justamente na reta final das definições eleitorais.

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