Cinco irmãos órfãos emocionam o ES ao ganhar casa nova construída por vizinhos após tragédia familiar

Após perderem a mãe durante a pandemia, jovens que viviam em condições precárias no Morro do Cabral receberam ajuda da comunidade e ganharam um novo lar em Vitória

A dor da perda se transformou em esperança no Morro do Cabral, no Centro de Vitória. Cinco irmãos que ficaram órfãos em meio à pandemia da Covid-19 emocionaram moradores e voluntários ao receberem uma casa totalmente reformada após anos vivendo em situação precária.

A história da família Berto começou a mudar depois da morte da mãe, Aline Gonçalves de Oliveira, vítima de câncer em 2020. Sem o principal sustento emocional da casa, os irmãos Ricardo, Rodrigo, Robson, Rhiana e Alice Valentina passaram a enfrentar dificuldades extremas dentro de um imóvel pequeno, improvisado e tomado por infiltrações.

Na época, o mais velho dos irmãos ainda era adolescente e precisou abandonar temporariamente os estudos para trabalhar e ajudar a sustentar a família.

Mesmo diante das dificuldades, os jovens nunca ficaram sozinhos. A comunidade se mobilizou para garantir apoio emocional, alimentação e, posteriormente, um projeto muito maior: reconstruir completamente a casa da família.

A iniciativa ganhou força através do Instituto Serenata D’Favela, que reuniu moradores, empresas, voluntários e profissionais da construção civil para transformar o imóvel. O espaço, que antes tinha apenas um cômodo, passou a contar com três quartos, banheiro, cozinha equipada, móveis e eletrodomésticos doados.

Além da estrutura renovada, a nova residência ainda ganhou uma vista privilegiada para a capital capixaba, simbolizando o recomeço da família.

“Não consigo explicar o tamanho da emoção. A ficha ainda não caiu”, contou Ricardo, emocionado ao entrar no novo lar ao lado dos irmãos.

Empresas parceiras abriram mão de cobrar pelos serviços. Segundo o engenheiro responsável pela obra, o custo da reforma poderia ultrapassar R$ 140 mil, mas todos os envolvidos decidiram participar de forma voluntária.

Moradores da comunidade também atuaram diretamente na construção. Muitos ajudaram carregando materiais, realizando reparos e acompanhando a família durante todo o processo.

A entrega da nova casa foi marcada por aplausos, lágrimas e abraços. Para os voluntários, mais do que uma reforma, o projeto representou um gesto coletivo de solidariedade e acolhimento.

Agora, com um lar digno e seguro, os irmãos começam a planejar um novo futuro. Ricardo sonha em voltar aos estudos, seguir carreira artística e investir na música.

“Agora temos um lugar para chamar de casa de verdade”, afirmou.

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