Deputados do ES entram em articulação que pode adiar fim da escala 6×1 por até uma década

Parlamentares capixabas assinaram emendas que permitem transição lenta na redução da jornada e até manutenção de cargas horárias maiores em setores considerados essenciais

A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou novos capítulos em Brasília — e deputados federais do Espírito Santo passaram a integrar diretamente o centro da polêmica.

Os parlamentares,, e assinaram emendas que podem empurrar por até 10 anos a implementação definitiva da redução da jornada de trabalho no Brasil.

As propostas foram apresentadas no debate da PEC que prevê diminuir a carga semanal de 44 para 36 horas e enfraquecer o atual modelo da escala 6×1 — sistema em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para descansar apenas um.

As emendas são de autoria dos deputados Tião Medeiros (PP-PR) e Sérgio Turra (PP-RS) e defendem uma transição gradual para evitar impactos econômicos considerados bruscos por setores empresariais.

Na prática, os textos abrem espaço para que áreas classificadas como essenciais mantenham jornadas de até 44 horas semanais mesmo após eventual aprovação da PEC.

Entre os setores citados estão:

• saúde;
• segurança;
• transporte;
• logística;
• energia;
• abastecimento;
• agropecuária.

Outro ponto que gerou forte repercussão é a possibilidade de acordos individuais ou coletivos ampliarem a carga horária semanal em até 30%, o que poderia elevar jornadas para até 52 horas em determinadas situações.

O movimento provocou reações imediatas nas redes sociais e entre sindicatos, que acusam parlamentares de tentar “esvaziar” a proposta original do fim da escala 6×1.

Os deputados capixabas, no entanto, alegam que a assinatura das emendas não representa oposição ao projeto principal, mas uma tentativa de ampliar o debate na Comissão Especial da Câmara.

Amaro Neto afirmou, por meio de nota, que apoia o fim da escala 6×1, mas defende uma implementação responsável.

Segundo ele, a transição gradual seria necessária para evitar desemprego, fechamento de vagas e redução salarial.

Já Da Vitória declarou que considera a redução da jornada uma “tendência mundial”, mas disse que assinou a emenda apenas para garantir que o texto alternativo também seja discutido pelos parlamentares.

Evair de Melo afirmou que a proposta dialoga com um projeto de lei de autoria dele voltado à flexibilização das relações trabalhistas, com remuneração proporcional ao tempo efetivamente trabalhado.

Enquanto isso, trabalhadores e movimentos sindicais pressionam pela aprovação integral da PEC sem flexibilizações consideradas excessivas.

O tema promete dominar os debates políticos e econômicos nas próximas semanas em Brasília, principalmente diante da pressão crescente por melhores condições de trabalho e qualidade de vida.

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