Com milhões de atropelamentos por ano no Brasil, iniciativa aposta em educação e pressão social para mudar comportamento de motoristas
Um problema antigo, recorrente e muitas vezes ignorado começa a ganhar enfrentamento direto no Espírito Santo. O Instituto Ambiental Reluz lançou o programa “Reluz na Estrada”, uma iniciativa que pretende combater o alto número de atropelamentos de animais silvestres nas rodovias que cortam o estado.
A proposta surge diante de um cenário alarmante. Dados da Plataforma Urubu apontam que cerca de 17 animais são atropelados por segundo no Brasil, o que representa aproximadamente 475 milhões de mortes por ano. A Região Sudeste concentra metade desses registros, incluindo trechos importantes como a BR-262, que atravessa áreas de rica biodiversidade no território capixaba.
Idealizado pela ambientalista Renata Bomfim, o projeto parte de uma constatação simples e incômoda: falta consciência. Segundo ela, o trânsito ainda é tratado como um espaço exclusivo de veículos, ignorando que as estradas invadem habitats naturais e colocam espécies inteiras em risco.
A iniciativa aposta na educação como principal ferramenta de mudança. O programa prevê ações em escolas, mobilizações em rodovias e campanhas de conscientização voltadas a motoristas. A ideia é reforçar práticas como redução de velocidade, direção defensiva e respeito à fauna — medidas básicas que, na prática, ainda são negligenciadas.
Além disso, o projeto também busca provocar reflexão. A chamada “Visão Zero”, conceito adotado pela iniciativa, defende que nenhuma morte no trânsito deve ser considerada aceitável — incluindo a de animais.
O lançamento ocorre em Marechal Floriano e reúne diferentes instituições públicas e ambientais, além de forças de segurança. A mobilização inclui ainda distribuição de mudas da Mata Atlântica e atividades educativas com estudantes, que serão incentivados a produzir conteúdos sobre o tema.
Mais do que uma campanha pontual, o programa escancara uma realidade incômoda: o avanço das rodovias sobre áreas naturais tem um custo alto — e ele continua sendo pago, todos os dias, por espécies que sequer têm como escapar.
