Entre ostentação, polêmicas e exposição banal, cultura digital cresce no estado enquanto levanta dúvidas sobre impacto real na vida das pessoas
A febre dos influencers não é mais um fenômeno distante dos grandes centros — ela já faz parte da rotina de quem vive no Espírito Santo. Em praias, festas privadas e eventos locais, a presença de criadores de conteúdo virou quase regra. Mas, por trás dos filtros e da ostentação, cresce uma pergunta incômoda: o que, de fato, isso acrescenta?
Nos últimos meses, episódios envolvendo influenciadores no estado evidenciam um padrão: exposição exagerada, conflitos públicos e conteúdos que giram em torno de luxo, aparência e polêmica. Situações que viralizam rápido, mas desaparecem com a mesma velocidade — sem deixar qualquer contribuição concreta.
A lógica é simples e, ao mesmo tempo, preocupante: quanto mais visibilidade, melhor — independentemente da qualidade. O resultado é uma avalanche de conteúdos superficiais que ocupam tempo, moldam comportamentos e criam referências distorcidas de sucesso.
No Vitória, em Vila Velha e em balneários como Guarapari, festas, encontros e “rolês exclusivos” se transformam em vitrines digitais. O foco deixa de ser a experiência e passa a ser o registro — quem estava, o que vestia, quanto custava.
O problema vai além da futilidade. Esse tipo de conteúdo cria um padrão artificial de vida, onde riqueza, aparência e status parecem ser regra — quando, na realidade, são exceção cuidadosamente editada. A comparação é inevitável e, muitas vezes, prejudicial.
Outro efeito silencioso é o tempo. Horas consumidas assistindo rotinas irreais poderiam estar sendo investidas em formação, trabalho ou convivência real. Ainda assim, a sensação de estar “por dentro” mantém o ciclo ativo.
Há também o impacto no consumo. Produtos, viagens e estilos de vida são vendidos como necessidades, quando na verdade são estratégias de marketing disfarçadas de rotina. No fim, quem paga essa conta é o seguidor — financeiramente e emocionalmente.
Isso não significa que todo criador de conteúdo seja irrelevante. Há quem produza informação, educação e entretenimento de qualidade. Mas o crescimento de perfis baseados apenas em exposição e polêmica levanta um alerta claro sobre o rumo dessa influência.
No Espírito Santo, assim como no resto do país, a cultura digital já molda comportamentos. A diferença está em como cada pessoa escolhe se posicionar diante disso.
A pergunta que fica é direta: você acompanha influencers para evoluir — ou apenas para assistir a uma realidade que não é sua?
