Golpe com rosto falso: operação mira suspeito no ES por fraude com inteligência artificial

Criminosos usavam “deepfake” para assumir celulares de vítimas e invadir contas bancárias em esquema que atingiu todo o país

A tecnologia que promete facilitar a vida também está sendo usada para aplicar golpes cada vez mais sofisticados. Um morador de Cariacica entrou na mira de uma operação policial que investiga um esquema nacional de fraude com uso de inteligência artificial.

A ação foi coordenada pela Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, com apoio da Polícia Civil do Espírito Santo, e faz parte da chamada Operação Mil Faces. Ao todo, foram cumpridas 13 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão, buscas, bloqueio de bens e quebra de sigilos.

No Espírito Santo, os policiais cumpriram mandados contra um investigado residente na Grande Vitória. O resultado da prisão ainda não foi oficialmente detalhado.

Segundo as investigações, o grupo criminoso utilizava ferramentas de inteligência artificial para criar rostos falsos — os chamados “deepfakes” — com o objetivo de enganar sistemas de reconhecimento facial de operadoras de telefonia.

Com a validação dessas identidades falsas, os criminosos aplicavam o golpe conhecido como SIM swap, assumindo o controle do número de telefone da vítima. A partir daí, conseguiam acessar aplicativos bancários, autorizar transações e realizar transferências sem o conhecimento do titular.

O esquema começou a ser desvendado após uma operadora identificar falhas e comportamentos suspeitos em seus sistemas internos. A investigação revelou que o golpe não era isolado: centenas de pessoas em diferentes estados foram atingidas.

Os prejuízos incluem movimentações financeiras indevidas, compras fraudulentas e invasão de contas digitais — um impacto direto na vida das vítimas, que muitas vezes só percebem o golpe quando o dinheiro já desapareceu.

Para os investigadores, o caso escancara uma nova fase da criminalidade. O uso de inteligência artificial, antes associado à inovação, agora aparece como ferramenta para burlar sistemas de segurança e ampliar o alcance dos golpes.

Os suspeitos podem responder por crimes como associação criminosa, invasão de dispositivo informático e furto mediante fraude eletrônica, com penas que podem chegar a quase duas décadas de prisão.

O avanço desse tipo de crime deixa um alerta claro: na era digital, a identidade não é mais apenas um documento — e confiar apenas na tecnologia pode não ser suficiente para garantir segurança.

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