Operação “Narco Fluxo” mira esquema bilionário e alcança famosos; ES está entre os alvos

Investigação aponta lavagem de mais de R$ 1,6 bilhão e envolve artistas, influenciadores e empresas de fachada

Uma grande operação da Polícia Federal colocou no centro das investigações nomes conhecidos do funk e das redes sociais, suspeitos de integrar um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão em todo o país. A ação também teve desdobramentos no Espírito Santo.

Batizada de “Narco Fluxo”, a ofensiva foi realizada em diversos estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e regiões da Grande Vitória. Ao todo, foram cumpridos dezenas de mandados judiciais, entre prisões e buscas, com apreensão de bens de alto valor, como carros de luxo, joias, dinheiro em espécie, celulares e até armas.

Entre os investigados estão os funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de influenciadores digitais e outros envolvidos no suposto esquema. Segundo as autoridades, o grupo teria utilizado empresas ligadas ao entretenimento para ocultar a origem de recursos ilegais.

A investigação aponta que os valores teriam origem em atividades como rifas digitais clandestinas, apostas não regulamentadas e possíveis fraudes virtuais. Há ainda indícios de conexão com o tráfico internacional de drogas.

De acordo com a apuração, o dinheiro passava por um processo estruturado para dificultar o rastreamento. Inicialmente, os recursos eram captados por plataformas de pagamento. Em seguida, eram distribuídos para empresas registradas em nome de terceiros — os chamados “laranjas” — e pulverizados em diversas transações menores.

Parte dos valores também era convertida em criptomoedas e enviada ao exterior. Depois, o dinheiro retornava ao sistema financeiro formal por meio de empresas do setor artístico e de marketing, criando aparência de legalidade.

Na etapa final, os recursos eram utilizados na aquisição de bens de luxo, como imóveis, veículos e joias, muitas vezes registrados em nome de outras pessoas para esconder os verdadeiros proprietários.

As investigações indicam que MC Ryan SP teria papel central na estrutura, sendo apontado como líder do grupo. Já MC Poze do Rodo aparece vinculado a empresas que teriam participado da movimentação financeira suspeita.

Outros nomes também surgem no inquérito, incluindo influenciadores com milhões de seguidores, que teriam ajudado a promover rifas e a fortalecer a imagem pública dos envolvidos.

Os investigados podem responder por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As penas, somadas, podem chegar a décadas de prisão.

A operação é considerada um desdobramento de ações anteriores e reforça o avanço das autoridades no combate a esquemas sofisticados que utilizam o ambiente digital e o setor de entretenimento para movimentar recursos ilícitos.

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