A crise envolvendo a Apex Partners ganhou uma nova dimensão. A Polícia Federal no Espírito Santo abriu investigação para apurar possíveis irregularidades relacionadas ao grupo e eventuais crimes previstos na legislação que protege o sistema financeiro nacional.
O procedimento teve origem em informações encaminhadas aos órgãos do Ministério Público e deverá reunir documentos e elementos que já foram apresentados em processos relacionados à situação financeira da empresa.
A investigação ocorre paralelamente às disputas judiciais envolvendo a administração e o patrimônio das empresas ligadas ao grupo.
Investigação começou após denúncia
Segundo as informações encaminhadas ao Ministério Público Federal, uma das comunicações partiu da própria Apex Partners Gestão de Ativos.
O material relata fatos relacionados à administração da companhia e apresenta suspeitas sobre operações e decisões que teriam contribuído para o cenário de dificuldades financeiras enfrentado pelo grupo.
As informações foram inicialmente levadas ao Ministério Público do Espírito Santo e posteriormente encaminhadas à esfera federal.
Como o caso envolve possíveis crimes de competência federal, a Polícia Federal passou a atuar na apuração.
Crise financeira expôs disputa interna
A situação da Apex veio a público após uma mudança na administração do grupo.
O então presidente Fernando Antonio Kulnig Cinelli foi afastado das funções executivas em meio a questionamentos relacionados à gestão da companhia.
Posteriormente, decisões judiciais ampliaram o afastamento para outras empresas vinculadas ao grupo.
A Justiça também determinou medidas envolvendo patrimônio e informações bancárias de Cinelli, enquanto os processos passaram a discutir a origem e a extensão das dificuldades financeiras.
Dívida chegou a quase R$ 1 bilhão
No processo judicial, o grupo informou um passivo de aproximadamente R$ 975 milhões.
A dimensão da dívida levou as empresas a buscar proteção judicial contra credores e abriu uma série de disputas relacionadas à reorganização financeira e administrativa do conglomerado.
Paralelamente, uma apuração interna teria apontado o que foi classificado como “inconsistências financeiras”.
Agora, a Polícia Federal deverá verificar se os fatos relatados podem configurar crimes e quem eventualmente poderá ser responsabilizado.
Ex-presidente nega irregularidades
Cinelli nega as acusações feitas contra ele.
A defesa sustenta que o empresário sempre desempenhou suas funções de maneira responsável e transparente e afirma que os fatos precisam ser examinados com base em documentos e em uma análise independente.
Os advogados também contestam interpretações apresentadas em processos judiciais e defendem que todas as circunstâncias envolvendo a administração da empresa sejam devidamente esclarecidas.
O que a PF vai investigar
A investigação federal poderá analisar contratos, movimentações financeiras, decisões administrativas, documentos societários e outras informações relacionadas à crise.
Entre as hipóteses que poderão ser avaliadas estão eventuais práticas previstas na legislação de crimes contra o sistema financeiro.
Por enquanto, não existe conclusão de que os investigados tenham cometido crimes. A abertura do inquérito representa o início de uma apuração para verificar se houve irregularidades e quais seriam suas eventuais responsabilidades.
O caso permanece sob sigilo e deverá ganhar novos capítulos à medida que a Polícia Federal avance na análise dos documentos e das informações reunidas durante a investigação.
