Sete policiais viram réus após morte de duas mulheres em Cariacica

Militares são acusados de descumprir normas durante ocorrência que terminou com o assassinato de Daniele Toneto e Francisca Chaguiana; dois também respondem por abandono de posto

Sete policiais militares que participaram da ocorrência que terminou com a morte de duas mulheres em Cariacica passaram à condição de réus na Justiça Militar do Espírito Santo.

A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) foi recebida pela Justiça Militar no dia 27 de agosto. Os militares são acusados de supostas irregularidades na condução da ocorrência registrada em 8 de abril, no bairro Cruzeiro do Sul.

As vítimas, Daniele Toneto Rocha, de 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, de 31, foram baleadas pelo cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, que também responde a processo criminal, porém separadamente.

Militares respondem por descumprimento de normas

Segundo o MPES, os sete policiais respondem pelo crime de inobservância de lei, regulamento ou instrução.

A acusação está relacionada à suposta falta de cumprimento de procedimentos e normas que deveriam orientar a atuação dos militares durante a ocorrência.

Dois dos policiais, Hilário Antônio Nunes Loureiro Júnior e Eduardo Ferro Coradini, também respondem por abandono de posto.

Os demais réus são Hildebrando da Silva Santos, Edson Luiz da Silva Verona, Felipe Gonçalves Vieira, Lucas Nogueira Oliveira e Valfril do Carmo Carreiro.

A partir do recebimento da denúncia, os acusados deverão ser citados formalmente e terão prazo para apresentar suas respectivas defesas.

Homicídios são tratados em processo separado

A responsabilização dos sete policiais não está relacionada diretamente à autoria dos homicídios.

O cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, apontado como responsável pelos disparos que mataram Daniele e Francisca, responde a outro processo. O caso dele foi encaminhado ao Tribunal do Júri da Comarca de Cariacica.

O policial permanece preso no Presídio Militar desde abril.

Imagens de câmeras de segurança registraram a chegada do cabo ao local acompanhado de outros policiais e os momentos que antecederam os disparos. A atuação dos demais militares passou a ser questionada após a divulgação das imagens.

Policiais continuam afastados das ruas

De acordo com a Corregedoria da Polícia Militar, os sete militares que agora são réus estão afastados das atividades operacionais desde 16 de julho.

Eles foram realocados para funções administrativas dentro da corporação enquanto o processo tramita.

A Polícia Militar informou que os fatos envolvendo seus integrantes são apurados dentro dos procedimentos previstos em lei, garantindo o direito de defesa das partes envolvidas.

Caso chocou Cariacica

O crime aconteceu após uma discussão envolvendo as duas vítimas e a ex-mulher do cabo Luiz Gustavo.

Segundo relatos obtidos durante a investigação, as três mulheres moravam no mesmo prédio, em apartamentos diferentes, e já haviam protagonizado outros desentendimentos.

No dia do crime, a situação teria começado após uma discussão relacionada ao uso e ao consumo de energia elétrica do imóvel. A ex-companheira do policial entrou em contato com ele após um novo conflito.

O cabo, que naquele período exercia uma função administrativa, deixou o posto e foi até o endereço acompanhado de outros policiais.

A ocorrência terminou com a morte das duas mulheres.

Agora, além do processo contra o policial acusado dos disparos, a Justiça Militar deverá analisar a conduta dos sete colegas que participaram da ocorrência.

Os policiais são réus e ainda terão direito à ampla defesa e ao contraditório. A condição de réu não significa condenação.

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