A Justiça do Espírito Santo determinou o afastamento de Fernando Antônio Kulnig Cinelli, antigo administrador da Apex Partners, de todas as empresas que integram o grupo. A decisão também alcança o diretor financeiro Eduardo Costa Constâncio Siqueira.
A medida foi tomada pelo juiz Marcos Pereira Sanches, da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, e atinge 161 empresas ligadas ao grupo empresarial.
Com o afastamento, a administração das companhias passa a ser conduzida por Marcelo Murad Brumana, atual presidente da Apex. O magistrado determinou ainda que ele convoque, no prazo de 72 horas, uma assembleia dos sócios para regularizar a representação das empresas e adotar as providências necessárias para garantir o funcionamento das atividades.
Decisão ocorre em meio a crise financeira
O novo capítulo judicial acontece em meio a uma série de medidas envolvendo a Apex Partners.
No início de agosto, o grupo procurou a Justiça para obter proteção patrimonial diante de um cenário de dificuldades financeiras. Na ocasião, foi informado um volume de dívidas que chegaria a R$ 975 milhões.
A Justiça concedeu uma liminar suspendendo temporariamente execuções contra 178 empresas indicadas pelo grupo e determinou que fosse apresentado, dentro do prazo estabelecido, um pedido de recuperação judicial.
Ex-presidente já havia sido afastado
Antes da decisão mais recente, Cinelli já havia sido retirado da administração de duas das principais empresas do grupo e do Conselho de Administração.
Segundo informações apresentadas anteriormente à Justiça, uma investigação interna conduzida pelos próprios sócios teria identificado “inconsistências financeiras” na companhia.
Na sequência, os representantes da Apex pediram judicialmente que o afastamento fosse ampliado para as demais empresas do grupo. Entre os argumentos apresentados estavam alegações de possível gestão temerária e má-fé, que ainda são objeto de análise judicial.
Cinelli também havia formalizado sua renúncia aos cargos de administração, direção, gerência e representação que ainda permanecessem registrados em seu nome nas empresas.
Bens bloqueados
A crise envolvendo o antigo administrador também resultou em outras medidas judiciais.
Em agosto, a Justiça determinou o bloqueio dos bens de Fernando Cinelli e a quebra de seu sigilo bancário. A decisão mencionou a existência de movimentações financeiras que deveriam ser esclarecidas no decorrer das investigações.
Entre os pontos analisados está uma transferência no valor de R$ 5 milhões, mencionada em decisão judicial anterior.
A Apex também apresentou à Justiça informações sobre supostos pagamentos de despesas tributárias pessoais com recursos das empresas, alegação que integra o conjunto de questões que estão sendo analisadas no processo.
Disputa ainda está longe do fim
O afastamento definitivo da administração das empresas representa mais um desdobramento da crise que envolve o grupo empresarial.
Agora, a Justiça deverá acompanhar a reorganização da estrutura societária e administrativa das companhias, enquanto os processos relacionados às inconsistências financeiras, aos investimentos e às obrigações do grupo continuam em andamento.
As acusações e alegações apresentadas no processo ainda estão sujeitas à apuração e ao contraditório judicial.
