Com a aproximação das eleições de 2026, o tabuleiro político do Espírito Santo passa necessariamente pela Grande Vitória. Os municípios da Região Metropolitana concentram uma parcela expressiva do eleitorado capixaba e, mais do que votos, seus prefeitos controlam importantes estruturas políticas, grupos de vereadores, lideranças comunitárias e alianças partidárias.
Neste cenário, o peso de cada prefeito não pode ser medido apenas pelo tamanho de sua cidade. Histórico eleitoral, aprovação administrativa, capacidade de articulação e, principalmente, a possibilidade de transferir votos serão colocados à prova.
Alguns chegam ao processo eleitoral como cabos eleitorais. Outros se transformaram em protagonistas estaduais. E há aqueles que precisam escolher cuidadosamente o lado em que estarão.
SERRA — Weverson Meireles comanda um dos maiores exércitos eleitorais da Grande Vitória

A Serra será um dos território decisivos.
Prefeito do município mais populoso do Espírito Santo, Weverson Meireles assumiu uma estrutura política construída durante anos pelo grupo liderado pelo ex-prefeito Sérgio Vidigal.
Mas seria um erro analisar Weverson apenas como sucessor.
Desde que chegou à Prefeitura, o prefeito precisa administrar duas missões simultaneamente: manter unido o grupo político que venceu a eleição municipal e construir sua própria liderança o que ele vem fazendo de forma silenciosa.
E 2026 será o primeiro grande teste dessa capacidade.
A Serra possui uma extensa rede de vereadores, suplentes, lideranças comunitárias, empresariais, religiosas e partidárias. Organizar toda essa estrutura em torno de uma candidatura estadual pode representar uma vantagem significativa.
Weverson também possui relação política com o grupo de Renato Casagrande e Ricardo Ferraço.
A expectativa é que a Serra tenha papel importante na estratégia eleitoral governista.
Nesse processo, Sérgio Vidigal continua sendo um personagem relevante. Ex-prefeito por quatro mandatos e uma das lideranças políticas mais conhecidas do município, Vidigal mantém influência sobre uma parcela importante do eleitorado serrano.
A combinação entre a estrutura administrativa e política comandada atualmente por Weverson e o capital eleitoral acumulado por Vidigal transforma a Serra em um dos principais territórios de disputa da eleição.
Se o grupo conseguir permanecer unido e organizar vereadores e lideranças em torno de Ricardo Ferraço e Renato Casagrande, poderá entregar uma das maiores votações da chapa em todo o Estado.
Para Weverson, existe ainda um componente pessoal.
Uma grande vitória dos candidatos apoiados por seu grupo dentro da Serra ajudaria a consolidá-lo definitivamente como liderança política própria, deixando de ser visto apenas como sucessor de Vidigal.
VILA VELHA — Arnaldinho Borgo e a desconfiança política com suas idas e vindas.

Arnaldinho Borgo chega à eleição de 2026 carregando um patrimônio político expressivo.
Sua reeleição em Vila Velha demonstrou força eleitoral e fez com que seu nome fosse colocado, durante boa parte da construção do cenário sucessório, entre as possibilidades para o Governo do Estado.
Mesmo sem disputar diretamente o Palácio Anchieta, Arnaldinho continua sendo uma das peças mais importantes desta eleição, porém, o olhar de desconfiança por grande parte da classe política é explícito ao citar o nome do atul prefeito de Vila Velha.
Por consequência, uma diferença significativa dentro do município pode compensar derrotas em dezenas de cidades menores.
Por isso, o apoio de Arnaldinho interessa não apenas pela declaração política, mas pela capacidade de colocar vereadores, secretários, lideranças comunitárias e aliados nas ruas.
A eleição também servirá como teste sobre sua capacidade de transferência de votos apesar do desgaste público sofrido nos últimos meses.
Uma coisa é vencer uma eleição municipal com a própria imagem. Outra é convencer esse mesmo eleitor a votar nos candidatos escolhidos pelo prefeito.
CARIACICA — Euclério Sampaio assume papel de articulador de Ricardo Ferraço e Casagrande

Se existe um prefeito da Grande Vitória que decidiu entrar de corpo e alma na articulação eleitoral de 2026, esse nome é Euclério Sampaio.
Prefeito de Cariacica e presidente estadual do MDB, Euclério acumulou experiência de vários mandatos como deputado estadual antes de assumir o Executivo municipal. Ao longo dessa trajetória, construiu relações dentro da Assembleia Legislativa, entre prefeitos, vereadores, lideranças religiosas, comunitárias e integrantes da segurança pública.
Esse conjunto de relações transformou Euclério em uma peça importante para o projeto político de Ricardo Ferraço ao Governo do Estado e de Renato Casagrande ao Senado.
Euclério chegou a ter o próprio nome cogitado para a eleição majoritária. Entretanto, ao permanecer na Prefeitura, passou a concentrar esforços na construção das candidaturas de Ricardo e Casagrande.
E sua participação vai além de uma simples declaração pública de apoio. Euclério é o maior “soldado” na batalha ao governo do estado.
O prefeito de Cariacica tem atuado diretamente na articulação política, buscando agregar lideranças e ampliar a base dos dois candidatos.
A força de Euclério está justamente na capacidade de conversar com setores distintos da política capixaba.
Seu histórico parlamentar lhe garante interlocução com deputados e lideranças partidárias. Sua atuação municipal ampliou a relação com vereadores e lideranças de bairros. Ao mesmo tempo, mantém influência em segmentos religiosos e da segurança pública.
Cariacica também é fundamental nessa estratégia.
Um resultado expressivo de Ricardo Ferraço e Renato Casagrande no município poderá representar milhares de votos de vantagem em uma disputa estadual apertada.
Por isso, Euclério começa a campanha não apenas como prefeito de uma das maiores cidades do Estado, mas como um dos principais articuladores políticos da chapa.
Seu desempenho também será medido pela capacidade de transferir votos.
Se Ricardo e Casagrande obtiverem uma votação muito acima da média estadual dentro de Cariacica, Euclério poderá sair de 2026 ainda maior e credenciado para projetos políticos futuros.
VITÓRIA — A saída de Pazolini mudou completamente o papel político da Capital com a chegada da Cris Samorini

Vitória vive uma situação diferente dos demais municípios.
Lorenzo Pazolini deixou a Prefeitura para disputar o Governo do Estado e transformou a própria trajetória municipal em plataforma para um projeto estadual.
Reeleito em primeiro turno em 2024, Pazolini decidiu abrir mão da segurança do mandato para enfrentar diretamente o grupo governista.
A estratégia é clara: transformar a aprovação conquistada na Capital em uma candidatura competitiva em todo o Espírito Santo.
O desafio, entretanto, é estadualizar essa força.
Vitória possui grande influência política, econômica e de opinião, mas representa apenas uma parcela do eleitorado capixaba. Para chegar ao Palácio Anchieta, Pazolini precisará penetrar principalmente nos grandes municípios metropolitanos e no interior.
Enquanto isso, Cris Samorini assumiu a Prefeitura e já mostrou para o que veio.
Ex-presidente da Findes e eleita vice na chapa de Pazolini, Cris agora possui a oportunidade de construir identidade política própria. Contudo um episódio recente ascendeu alerta aos políticos da capital. O pedido de abertura de cassação do vereador do PT expôs a forma autoritária nunca antes vista na prefeitura.
A forma como conduzirá Vitória durante a campanha será acompanhada atentamente pelos diferentes grupos políticos. O x da questão ficará entre agregar pessoas ao grupo de pazolini ou tentar articular a própria reeleição para 2028. Momento de muita cautela.
VIANA — Wanderson Bueno tem estrutura política organizada

Wanderson Bueno chega à eleição comandando um município menor eleitoralmente que Cariacica, Serra ou Vila Velha, mas com uma estrutura política bastante organizada.
Sua trajetória está relacionada ao grupo do ex-prefeito e deputado federal Gilson Daniel.
A eleição municipal de 2024 mostrou a capacidade do grupo de reunir diferentes partidos e lideranças dentro de uma mesma composição.
Essa organização terá valor em outubro.
Em municípios desse porte, a capacidade de vereadores, secretários, lideranças comunitárias e cabos eleitorais atuarem de forma coordenada pode produzir percentuais expressivos para os candidatos apoiados pelo prefeito.
Wanderson também mantém interlocução com o grupo político de Renato Casagrande, colocando Viana dentro do mapa estratégico da candidatura de Ricardo Ferraço.
GUARAPARI — Rodrigo Borges ganha importância na articulação metropolitana

Guarapari também merece atenção especial.
Rodrigo Borges chegou à Prefeitura após uma eleição disputada e, desde então, passou a construir uma relação institucional cada vez mais próxima com o Governo do Estado.
Essa aproximação ganhou importância diante do cenário eleitoral.
Mesmo pertencendo a um partido que possui interesses próprios na eleição estadual, Rodrigo administra uma cidade que depende de forte interlocução com o Estado para investimentos e grandes projetos.
Isso transforma sua posição política em estratégica, mesmo diante de algumas crises instaladas no seu governo e na sua popularidade.
Guarapari possui eleitorado relevante e uma característica particular: além dos moradores, a cidade possui enorme projeção sobre outras regiões do Espírito Santo.
O posicionamento definitivo de Rodrigo Borges e de seu grupo poderá, portanto, representar mais uma peça importante na formação dos grandes blocos políticos de 2026.
FUNDÃO — Eleazar Ferreira Lopes e a importância das bases locais

Fundão possui menor peso numérico, mas não deve ser ignorado dentro da composição metropolitana.
O prefeito Eleazar Ferreira Lopes possui experiência política e conhece profundamente a dinâmica eleitoral do município.
Em cidades menores, a relação entre prefeito e eleitor tende a ser mais próxima, e vereadores e lideranças comunitárias possuem capacidade significativa de mobilização.
Por isso, proporcionalmente, um prefeito de município pequeno pode entregar aos candidatos apoiados percentuais maiores do que gestores das grandes cidades.
Para Eleazar, a eleição também representa oportunidade de fortalecer sua relação com o futuro governador e ampliar a presença política de Fundão nas decisões estaduais.
