China inspira modelo que pode transformar cidades do ES em polos estratégicos do comércio exterior

O modelo adotado pela China para modernizar o comércio exterior pode servir de referência para o Espírito Santo ampliar sua competitividade logística e industrial. A avaliação é do colunista Edu Kopernick, que defende a criação de cidades-piloto voltadas à facilitação das operações de importação e exportação.

Na prática, o conceito consiste em selecionar municípios com perfil estratégico para testar medidas capazes de reduzir burocracias, acelerar a liberação de cargas, integrar sistemas, utilizar novas tecnologias e tornar mais eficientes os processos aduaneiros. Se as iniciativas apresentarem bons resultados, elas podem ser expandidas para outras regiões.

O artigo destaca que a experiência chinesa já produziu resultados expressivos. Desde a implantação do programa, dezenas de medidas foram testadas em cidades estratégicas e, após avaliação, grande parte delas passou a ser adotada nacionalmente. Entre os benefícios observados estão a redução do tempo de desembaraço de mercadorias, maior integração entre órgãos públicos e empresas, uso de inteligência artificial nas inspeções e crescimento das operações de comércio exterior.

No Espírito Santo, Aracruz é apontada como o município mais preparado para iniciar um projeto semelhante. A cidade reúne um conjunto de fatores considerados fundamentais para esse tipo de iniciativa, como estrutura portuária, grandes indústrias, áreas disponíveis para expansão, investimentos privados e uma cadeia produtiva diversificada.

A proposta sugere que Aracruz concentre testes voltados ao transporte de veículos, celulose, rochas ornamentais, insumos industriais e futuras operações ligadas ao setor automotivo. Entre as medidas possíveis estão a antecipação da análise documental, integração entre porto e Receita Federal, uso de dados em tempo real e tratamento diferenciado para empresas com histórico de conformidade.

O texto também distribui funções para outros municípios capixabas. Vitória teria papel voltado à inteligência e governança do comércio exterior, concentrando serviços aduaneiros, bancos, consultorias e órgãos públicos. Vila Velha atuaria no fortalecimento da armazenagem, distribuição e movimentação portuária, enquanto a Serra seria referência em logística, indústria, centros de distribuição e operações ligadas ao comércio eletrônico.

Outro ponto destacado é que o Espírito Santo já possui iniciativas que podem servir de base para esse modelo. Entre elas estão o Recomex, voltado à articulação de políticas para o comércio exterior, e a plataforma e-Trânsito, desenvolvida para digitalizar e monitorar o trânsito aduaneiro por meio de rastreamento e gestão de risco.

Para o autor, investir em processos mais modernos pode representar ganhos para empresas, operadores logísticos e órgãos públicos, reduzindo custos, aumentando a previsibilidade das operações e fortalecendo a posição do Estado como referência nacional em comércio exterior.

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