Decisão arbitral encerra disputa de seis anos e expõe acusações envolvendo venda de imóveis, rombo financeiro e criação da fracassada ITA Aérea
A longa e turbulenta disputa envolvendo a venda da histórica ganhou um novo e explosivo capítulo. A tradicional família Cola saiu vitoriosa em uma arbitragem contra o empresário Sidnei Piva, atual controlador do grupo após a venda da companhia em 2016.
A decisão foi proferida pela Câmara de Arbitragem e Mediação da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CAM-CCBC) e encerra uma guerra judicial que se arrastava há seis anos.
Com a vitória, os antigos proprietários agora articulam a cobrança de cerca de R$ 400 milhões de Sidnei Piva e da empresária Camila Valdívia, ligados às empresas que assumiram o controle da viação.
A família Cola acusa os compradores de uma série de irregularidades financeiras e administrativas após a transferência do grupo.
Segundo os documentos da arbitragem, parte da cobrança envolve imóveis vendidos durante o processo de recuperação judicial da empresa, cujos recursos, de acordo com os antigos donos, não teriam sido reinvestidos na operação nem devolvidos conforme acordado.
Outro ponto central da disputa envolve a utilização de recursos da Itapemirim para financiar a criação da, lançada por Sidnei Piva em meio à crise da empresa rodoviária.
A companhia aérea virou símbolo do colapso financeiro do grupo. A ITA começou a operar em 2021, mas encerrou as atividades apenas cinco meses depois, deixando passageiros sem resposta, funcionários sem salários e uma avalanche de processos judiciais.
Em 2023, a Justiça decretou oficialmente a falência da empresa aérea.
Os Cola afirmam ainda que tiveram de assumir passivos e dívidas que deveriam ter sido quitados pelos compradores após a venda do grupo.
A Viação Itapemirim foi uma das maiores empresas de transporte rodoviário do país e marcou gerações nas estradas brasileiras. Em meio à grave crise financeira da década passada, a companhia acabou sendo vendida simbolicamente por R$ 1, juntamente com um gigantesco passivo trabalhista e tributário.
O desfecho da arbitragem representa uma dura derrota para Sidnei Piva, que já enfrenta desgaste jurídico e empresarial após o colapso da ITA.
Até o momento, nem Piva nem Camila Valdívia se manifestaram publicamente sobre a decisão.
