Tribunal do Júri reconheceu homicídio qualificado e abuso de autoridade; família da vítima também deverá receber indenização de R$ 500 mil
Depois de quase 15 horas de julgamento, o Tribunal do Júri de condenou o ex-policial militar Lucas Torrezani de Oliveira a 32 anos de prisão pelo assassinato do músico Guilherme José Rocha Soares, morto em abril de 2023 no bairro.
Os jurados aceitaram a tese apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo de que o crime foi cometido por motivo fútil, sem possibilidade de defesa da vítima, além do uso indevido da condição de policial militar.
A sentença foi anunciada pouco antes da meia-noite desta terça-feira (20). Lucas recebeu pena de 30 anos de reclusão pelo homicídio qualificado e mais dois anos de detenção pelo crime de abuso de autoridade. O ex-militar também foi condenado ao pagamento de indenização de R$ 500 mil aos familiares do músico.
O cumprimento da pena pelo homicídio ocorrerá inicialmente em regime fechado.
O caso aconteceu na madrugada de 17 de abril de 2023. Segundo a investigação, Guilherme teria descido ao hall do prédio para reclamar do barulho provocado por um grupo de amigos liderado pelo então policial militar, que bebia, fumava e conversava em tom elevado no condomínio.
Imagens das câmeras de segurança exibidas no julgamento mostraram o momento da discussão, o disparo e a vítima caída no chão. Durante os debates, os promotores destacaram a frieza do acusado após o tiro.
“Enquanto a vítima agonizava, o réu tomou goles da bebida que segurava nas mãos”, sustentou o Ministério Público diante dos jurados.
A sessão foi marcada por forte carga emocional.
A esposa da vítima, Janaína Iara Moraes, chorou ao relatar os momentos após o disparo. Segundo ela, tentou socorrer o marido, mas foi impedida pelo então policial armado.
“Ele apontou a arma para mim. Fiquei com medo e não consegui chegar perto do meu marido”, afirmou durante depoimento.
A síndica do condomínio também relatou episódios anteriores envolvendo reclamações de barulho e afirmou ter se sentido intimidada por Lucas em outras ocasiões.
Já o ex-PM alegou legítima defesa. Em depoimento, afirmou que Guilherme teria tentado pegar sua arma e que o disparo ocorreu durante uma reação para impedir a ação. A defesa sustentou a mesma versão ao longo do júri.
Mesmo assim, os jurados decidiram pela condenação.
Ao final da sessão, o advogado do réu informou que irá recorrer da decisão. Segundo a defesa, a condenação seria contrária às provas apresentadas durante o julgamento.
Lucas Torrezani foi preso ainda em 2023. Inicialmente permaneceu detido em unidade da Polícia Militar, mas depois foi transferido para o sistema prisional comum, em, após ser expulso da corporação.
