Polícia desmontou versão do namorado após perícia identificar DNA da vítima dentro da casa do suspeito; corpo foi encontrado preso a pedras em lagoa abandonada
O desaparecimento da cuidadora de idosos Luciene Galdino, de 34 anos, terminou revelando um crime cercado por violência, ocultação de cadáver e tentativa de manipular a investigação policial. O caso, registrado inicialmente como desaparecimento em Castelo, na Região Serrana do Espírito Santo, passou a ser tratado como feminicídio após a Polícia Civil encontrar uma série de evidências que contradiziam a versão apresentada pelo namorado da vítima.
Luciene sumiu no dia 4 de janeiro, depois de passar a noite de réveillon na residência do companheiro, um produtor rural de 58 anos. Desde o início, ele afirmou que teria levado a mulher para casa naquela manhã. Mas a investigação descobriu que a história era falsa.
Imagens de videomonitoramento mostraram o veículo do suspeito chegando sozinho à casa da cuidadora e deixando o local pouco tempo depois. Nenhuma gravação indicou a presença de Luciene no automóvel. Testemunhas também relataram que a residência dela permaneceu fechada e sem movimentação nos dias seguintes ao desaparecimento.
A perícia realizada na casa do investigado foi determinante para a mudança no rumo do caso. Utilizando um reagente químico capaz de revelar vestígios ocultos de sangue, os peritos encontraram marcas espalhadas pelo quarto do casal, no piso e até na porta do cômodo.
Os exames laboratoriais confirmaram que parte do material genético encontrado no local pertencia à vítima.
Além dos vestígios de sangue, investigadores localizaram objetos pessoais de Luciene dentro da residência do suspeito, incluindo roupas e acessórios com manchas compatíveis com sangue humano.
A polícia também rastreou os últimos registros digitais da cuidadora. O celular dela teve o último sinal emitido na região da casa do namorado. Já o acesso final à conta dela em uma rede social foi feito utilizando a internet da residência do suspeito.
Cerca de 20 dias depois do desaparecimento, o corpo de Luciene foi localizado em uma lagoa de pedreira abandonada, em Itaoca Pedra, distrito de Cachoeiro de Itapemirim. O cadáver estava dentro de um saco agrícola preso a pedras de aproximadamente 20 quilos, numa tentativa clara de dificultar a localização.
Por causa do estado avançado de decomposição, a identificação foi realizada por meio de exames odontológicos.
Segundo a Polícia Civil, a principal linha de investigação aponta que o crime foi motivado por ciúmes e desentendimentos no relacionamento. O suspeito já possuía histórico de violência doméstica e registros anteriores envolvendo ameaças contra outras mulheres.
Ele foi preso temporariamente e deve responder por feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual. A polícia ainda investiga se houve participação de outras pessoas na ocultação do corpo.
O caso causou forte repercussão na região e reacendeu o debate sobre a escalada da violência contra mulheres e a dificuldade enfrentada por vítimas que convivem com relacionamentos abusivos até que a tragédia aconteça.
