Família alega falhas médicas no atendimento após nascimento do primeiro filho; instituições negam negligência e dizem que caso foi consequência da gravidade clínica
O nascimento do primeiro filho de um casal capixaba terminou em uma disputa judicial após uma jovem de 27 anos sofrer graves complicações no pós-parto e precisar amputar o antebraço esquerdo. O caso aconteceu em novembro do ano passado e a família acusa hospitais públicos do Espírito Santo de negligência médica durante o atendimento.
Segundo a ação judicial, a mulher apresentou fortes dores, inchaço abdominal e dificuldade para respirar após o parto realizado na Maternidade Municipal de Cariacica. Mesmo com os sintomas, ela recebeu alta hospitalar, mas retornou à unidade menos de 24 horas depois em estado grave, com quadro de infecção generalizada.
Devido à piora no estado de saúde, a paciente foi transferida para o Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, na Serra, onde passou por cirurgias e ficou internada em estado crítico. Durante o tratamento, sofreu três paradas cardíacas e precisou permanecer em coma induzido.
As complicações causaram necrose na mão esquerda, levando à amputação do antebraço. A família afirma que a jovem ficou com limitações severas, já que possuía deficiência no braço direito e utilizava a mão esquerda como principal apoio para as atividades diárias.
Na ação, os advogados do casal pedem indenização por danos morais e materiais, alegando falhas no diagnóstico, demora no tratamento e uso de medicamentos aos quais a paciente teria alergia. A defesa sustenta que os problemas comprometeram não apenas a saúde da mãe, mas também a rotina familiar e os primeiros meses de convivência com o bebê.
A gestão dos hospitais, feita pela Associação Evangélica Beneficente Espírito-Santense, nega irregularidades e afirma que todos os protocolos médicos foram seguidos. O governo estadual também argumenta que as complicações decorreram da gravidade do quadro clínico e dos riscos inerentes aos procedimentos realizados.
O processo segue em tramitação e deverá passar por perícias médicas e avaliações psicológicas para apurar as circunstâncias do caso e os impactos causados à família.
