Atualização nas regras de avaliação passa a considerar percentual de defeitos e pode valorizar cafés com melhor qualidade pós-colheita
O sistema que define a classificação e o valor comercial do café brasileiro está passando por mudanças importantes. A nova Classificação Oficial Brasileira (COB), ainda em fase de construção, promete alterar a forma como cafés arábica e conilon serão avaliados e remunerados no país.
A principal novidade está no método utilizado para medir os defeitos dos grãos. Atualmente, a classificação considera equivalências numéricas para determinar o tipo do café. Com a nova proposta, o cálculo será feito com base no percentual de defeitos presentes na amostra, sistema conhecido no setor como “catação”.
Na prática, isso significa que cafés antes enquadrados na mesma categoria poderão receber valores diferentes, dependendo da quantidade real de grãos aproveitáveis após o beneficiamento.
O impacto tende a ser ainda mais significativo para produtores de café conilon, especialmente no Espírito Santo, principal produtor nacional da variedade. Pelo novo modelo, lotes com menor percentual de impurezas e defeitos deverão alcançar preços mais altos no mercado.
Além das mudanças físicas, a nova classificação também aproxima o Brasil dos padrões internacionais de avaliação sensorial adotados pela Specialty Coffee Association. Os cafés passarão a ser analisados por categorias sensoriais e, nos casos de cafés especiais, haverá avaliações mais detalhadas sobre aroma, sabor e qualidade da bebida.
Especialistas do setor avaliam que a atualização oficializa práticas já utilizadas pelo mercado premium, especialmente entre produtores de cafés especiais. A expectativa é de maior transparência na precificação e valorização de produtores que investem em qualidade e manejo pós-colheita.
Outro desafio apontado pelo setor é a falta de profissionais qualificados para atuar na nova metodologia de classificação. A atividade exige experiência prática e conhecimento técnico específico, tanto para cafés arábica quanto para conilon.
Com as mudanças, a tendência é que produtores passem a investir ainda mais em processos de secagem, armazenamento e seleção dos grãos, já que a qualidade passará a ter impacto direto e oficial sobre o preço pago pela saca.
