O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste domingo (25) a extensão do horário de votação do segundo turno das eleições de 2026 até as 19h, no horário de Brasília. A decisão foi tomada após uma reclamação que apontava dificuldades no transporte público de eleitores em municípios da Bahia.
A medida ampliou em duas horas o período de votação, inicialmente previsto para terminar às 17h, e atribuiu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a responsabilidade de cumprir a determinação.
De advogado de Lula a ministro do Supremo
Cristiano Zanin ganhou projeção nacional ao atuar como advogado de Luiz Inácio Lula da Silva nos processos relacionados à Operação Lava Jato. Em 2023, foi indicado por Lula para ocupar uma cadeira no STF, teve o nome aprovado pelo Senado Federal e tomou posse como ministro em agosto daquele ano.
A trajetória profissional de Zanin e sua indicação pelo atual presidente são fatos públicos. A decisão deste domingo, por sua vez, foi proferida no exercício de suas funções como ministro do Supremo.
O que motivou a prorrogação?
A reclamação apresentada ao STF apontou dificuldades na oferta de transporte público em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia. A alegação era de que a insuficiência de ônibus poderia dificultar o deslocamento de eleitores até os locais de votação.
Ao determinar a extensão do horário em âmbito nacional, Zanin considerou a urgência dos fatos relatados e estabeleceu que o recebimento dos votos fosse prorrogado até as 19h.
A campanha de Flávio Bolsonaro também havia solicitado a ampliação do horário em municípios afetados por chuvas. A decisão de Zanin, contudo, estabeleceu uma prorrogação válida para todas as seções eleitorais do país.
Decisão gera repercussão no dia eleitoral
A medida foi anunciada no fim da tarde, próximo ao horário originalmente previsto para o encerramento da votação, e exigiu providências da Justiça Eleitoral para adequar os procedimentos de encerramento e totalização dos votos.
A decisão ocorre em uma eleição marcada pela disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro e pelas eleições estaduais em segundo turno, incluindo a escolha do governador do Espírito Santo.
O caso também reacende o debate público sobre decisões judiciais tomadas durante processos eleitorais, seus fundamentos legais e a necessidade de transparência na comunicação das medidas adotadas.
A análise da decisão deve considerar seus fundamentos, o contexto da reclamação e os efeitos práticos sobre o direito de voto, sem confundir a trajetória profissional anterior do ministro com prova de favorecimento a qualquer candidato.
