Alta nos combustíveis, influenciada por tensões internacionais, e aumento no preço de itens básicos pressionam o custo de vida no Brasil
O bolso do brasileiro voltou a sentir o peso da inflação em abril. A prévia do índice oficial, o IPCA-15, registrou alta de 0,89% no mês — o maior resultado desde fevereiro deste ano. Em 12 meses, o indicador acumula 4,37%, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (28).
Dois fatores principais explicam a pressão: o aumento no preço dos combustíveis e a alta dos alimentos. Juntos, eles impactam diretamente o custo de vida, atingindo desde o transporte até a alimentação básica das famílias.
O grupo de alimentação e bebidas teve a maior variação, com alta de 1,46%. Dentro de casa, os preços subiram ainda mais: 1,77%. Produtos essenciais dispararam, como cenoura (25,43%), cebola (16,54%), leite longa vida (16,33%) e tomate (13,76%). Até mesmo as carnes, que vinham mais estáveis, registraram aumento.
Especialistas apontam que a entressafra — período entre colheitas — tem reduzido a oferta de alguns itens, pressionando os preços. Comer fora também ficou mais caro, com alta de 0,70%, o dobro do registrado no mês anterior.
Já no grupo de transportes, a alta foi de 1,34%, puxada principalmente pelos combustíveis. A gasolina subiu 6,23% e foi o item que mais influenciou o índice geral. O óleo diesel teve aumento ainda mais expressivo: 16%.
Parte dessa elevação está ligada ao cenário internacional. O agravamento de conflitos no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, tem afetado a produção e a distribuição global de petróleo. O Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial, enfrenta instabilidades, reduzindo a oferta e elevando os preços no mercado global.
Como o petróleo é uma commodity com preço definido internacionalmente, os impactos chegam rapidamente ao Brasil — mesmo sendo um país produtor. Isso encarece combustíveis e gera um efeito em cadeia sobre outros setores da economia, como transporte de mercadorias e alimentos.
Apesar das medidas adotadas pelo governo para conter os preços, como subsídios e desonerações, os efeitos ainda são limitados diante do cenário externo.
O resultado mantém a inflação dentro do intervalo da meta estabelecida, de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Ainda assim, o avanço recente reacende o alerta sobre o custo de vida, especialmente para as famílias de menor renda, que sentem mais intensamente o impacto da alta em itens básicos.
O índice oficial completo de abril será divulgado no dia 12 de maio, quando será possível avaliar se a tendência de alta se mantém ou perde força nas próximas semanas.
