Modelo tributário concentra peso no consumo, enquanto renda alta e patrimônio seguem menos impactados
No Brasil, o sistema de impostos tem um efeito direto — e controverso: pesa mais no bolso de quem ganha menos. Dados de instituições como o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e a Receita Federal do Brasil mostram que a maior parte da arrecadação vem de tributos sobre consumo, embutidos em alimentos, produtos básicos e serviços.
Na prática, isso significa que famílias de baixa renda acabam pagando proporcionalmente mais impostos do que as de alta renda. Quem ganha menos consome quase tudo o que recebe — e, portanto, paga imposto em praticamente toda a renda.
Enquanto isso, rendas mais altas e patrimônios elevados continuam com menor peso relativo na tributação. Segundo análises da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, países com sistemas mais equilibrados distribuem melhor essa carga, cobrando mais de quem tem maior capacidade de contribuir.
O resultado, no cenário brasileiro, é um ciclo difícil de romper: desigualdade persistente, baixa capacidade de redistribuição e serviços públicos que nem sempre retornam à população na mesma proporção do que é arrecadado.
Especialistas apontam que o problema não é apenas quanto se arrecada, mas como se arrecada. Sem mudanças estruturais, o modelo atual tende a manter distorções históricas, nas quais o consumo sustenta a maior parte da máquina pública.
O debate sobre reforma tributária, portanto, vai além de números — envolve a forma como o país escolhe distribuir o peso dos impostos entre seus cidadãos.
