Despesas dos Legislativos municipais aumentaram 34% entre 2022 e 2025, enquanto arrecadação das prefeituras avançou 22,3% no mesmo período
As Câmaras Municipais dos 78 municípios do Espírito Santo registraram em 2025 o maior gasto da história: R$ 616,7 milhões destinados à manutenção das estruturas legislativas. O valor representa um crescimento de 34% desde 2022, segundo dados do anuário Finanças dos Municípios Capixabas 2026, elaborado pela Aequs Consultoria.
O aumento das despesas chama atenção porque ficou acima da evolução das receitas correntes das cidades capixabas, que cresceram 22,3% no mesmo intervalo. Apenas entre 2024 e 2025, os gastos dos Legislativos municipais avançaram 9,8%, já considerando a correção pela inflação.
O levantamento aponta ainda um cenário diferente em relação aos investimentos feitos pelas prefeituras. No primeiro ano dos novos mandatos municipais, os investimentos dos Executivos tiveram queda de 28,6% na comparação entre 2024 e 2025.
Diferentemente das prefeituras, as Câmaras não executam diretamente obras e serviços públicos. A maior parte dos recursos é destinada ao funcionamento das casas legislativas, incluindo despesas com servidores, estrutura administrativa, manutenção e atividades parlamentares.
Especialistas avaliam que parte do aumento pode estar relacionada às mudanças realizadas no fim da legislatura anterior, como reajustes de subsídios dos vereadores, alterações em cargos comissionados e reorganização de estruturas internas, cujos impactos passaram a aparecer integralmente no orçamento de 2025.
O economista Alberto Borges, da Aequs Consultoria, destacou que os repasses aos Legislativos seguem regras constitucionais baseadas na arrecadação municipal e no número de habitantes, mas defendeu uma revisão do modelo.
Segundo ele, o formato atual pode resultar em recursos acima da necessidade operacional de algumas Câmaras, gerando questionamentos sobre o equilíbrio entre o orçamento destinado ao Legislativo e as demandas por investimentos em serviços públicos.
