Material capaz de matar animais e humanos foi encontrado em vias públicas; polícia investiga se houve ação criminosa
Um cenário alarmante tomou conta de um dos bairros mais valorizados de Vitória. Moradores da região da Mata da Praia se depararam com uma substância venenosa espalhada em vias públicas — e o que parecia um caso isolado rapidamente ganhou contornos preocupantes.
A perícia da Polícia Civil confirmou que o material encontrado é altamente tóxico, com potencial para provocar hemorragias, intoxicação severa e até morte em animais e seres humanos. O produto tem características semelhantes às de raticidas, conhecidos pelo efeito anticoagulante devastador.
A descoberta ocorreu em pontos como a Alameda Ismael Ribeiro Pereira e a Rua Maria de Lourdes Poyares Labuto, mas há indícios de que o material tenha sido espalhado em outras áreas da região — ampliando o risco e o nível de preocupação.
Segundo o delegado Leandro Piquet, do Núcleo de Proteção Animal, o caso não pode ser tratado como algo banal. A presença da substância em locais abertos levanta suspeitas de ação intencional, o que pode configurar crime ambiental e até outras infrações mais graves, dependendo das consequências.
Enquanto a investigação avança, a versão oficial da Prefeitura de Vitória adiciona mais tensão ao caso. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente afirma que o produto seria, na verdade, um lesmicida — utilizado no controle de caramujos — e que o uso é autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Ainda assim, há um ponto crítico: o próprio município reconhece que não utiliza a marca do produto encontrado, o que abre margem para dúvidas sobre a origem real da substância.
Diante do impasse, a Polícia Civil passou a buscar imagens de câmeras de segurança e ouvir moradores e comerciantes para tentar identificar quem espalhou o material — e com qual intenção.
Para quem vive na região, o medo é imediato. Cães e gatos que circulam livremente estão entre os mais vulneráveis, mas o risco não se limita aos animais. Crianças, pedestres e qualquer pessoa exposta ao contato direto também podem ser afetados.
O episódio escancara uma questão sensível: até que ponto produtos potencialmente letais podem ser utilizados em espaços públicos sem controle rigoroso? E mais — quem responde quando o limite entre controle sanitário e risco coletivo parece ter sido ultrapassado?
Enquanto essas respostas não chegam, o alerta está dado: há veneno nas ruas — e ele pode ser mais perigoso do que parece.
