Ex-secretário deixa comando da Justiça, vai para Casa Civil mirando eleições e pede diárias à própria pasta que chefiava

A movimentação do ex-secretário de Estado da Justiça do Espírito Santo, Rafael Rodrigo Pacheco Salaroli, voltou a provocar forte repercussão nos bastidores políticos. Após deixar o comando da Secretaria de Estado da Justiça do Espírito Santo, em meio a articulações para disputar as próximas eleições, ele passou a atuar na Casa Civil do Espírito Santo — e, mesmo assim, solicitou diárias à pasta que antes comandava.

O pedido foi feito para viabilizar sua participação na 18ª reunião do Conselho Nacional dos Secretários de Estado da Justiça, em Salvador (BA). No entanto, o que chama atenção é o fato de que, atualmente, Pacheco não possui mais vínculo funcional com a Sejus, o que levanta questionamentos sobre a legitimidade da solicitação.

De secretário a assessor — e ainda com acesso à estrutura

Nos bastidores, a avaliação é de que a mudança de função não rompeu, na prática, a influência do ex-secretário sobre a estrutura que comandava. Mesmo agora cedido como assessor na Casa Civil, Pacheco recorre justamente à Sejus para custear despesas de uma agenda institucional.

Documentos indicam, inclusive, que as passagens aéreas já foram bancadas pela própria secretaria. Restaria, agora, a análise do pagamento das diárias — benefício geralmente restrito a servidores em exercício direto no órgão responsável pela missão.

Salário elevado e pedido de diárias

Outro ponto que tem gerado incômodo é o fato de que o ex-secretário, enquanto esteve à frente da pasta, recebia remuneração considerada elevada dentro da estrutura do Executivo estadual. Ainda assim, optou por solicitar diárias pagas com recursos públicos da secretaria que anteriormente comandava.

Para críticos, a situação evidencia um possível uso excessivo de prerrogativas administrativas, além de levantar dúvidas sobre critérios de economicidade e moralidade na gestão pública.

Discurso oficial x percepção política

Na justificativa apresentada, Pacheco argumenta que sua participação no evento se dá por ocupar a presidência do Consej, sendo responsável pela condução da eleição e transição da diretoria do colegiado.

Entretanto, nos bastidores políticos, o episódio é visto sob outra ótica: a de que a estrutura pública estaria sendo utilizada para manter visibilidade institucional em um momento pré-eleitoral.

Debate sobre moralidade administrativa

Embora não haja, até o momento, apontamento formal de ilegalidade, especialistas ouvidos nos bastidores avaliam que o caso pode esbarrar em princípios constitucionais da administração pública, como moralidade, impessoalidade e interesse coletivo.

A principal crítica recai sobre o fato de um agente público, já fora da pasta, recorrer justamente ao órgão que chefiava para custear despesas — cenário que, mesmo se permitido tecnicamente, tende a gerar desgaste político.

Pressão por explicações

Diante da repercussão, cresce a pressão para que o governo do Estado esclareça os critérios adotados para autorizar — ou não — o pagamento das diárias.

O caso expõe, mais uma vez, a linha tênue entre o que é legal e o que é considerado legítimo pela opinião pública, especialmente em períodos que antecedem disputas eleitorais.

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