O Tribunal do Júri que julgava Bruna Garcia Barbosa Marinho, acusada de tentar envenenar com arsênio o cardiologista Victor Murad, de 91 anos, foi anulado na noite desta segunda-feira (26), em Vitória. A decisão foi tomada pelo juiz Carlos Henrique Rios do Amaral Filho, após um pedido apresentado pelos representantes do Ministério Público do Espírito Santo (MPES).
A sessão havia começado pela manhã e foi interrompida após uma série de questionamentos sobre a atuação do advogado de defesa. Segundo o magistrado, a forma como a defesa estava sendo conduzida comprometia o direito da acusada a uma representação técnica adequada.
Entre os problemas apontados estavam perguntas consideradas impertinentes ou de difícil compreensão, questionamentos repetitivos e manifestações que incluíam ofensas pessoais à vítima. O juiz também relatou que consultou os jurados três vezes e recebeu como resposta que eles não compreendiam as perguntas formuladas pelo advogado.
O Ministério Público argumentou que a continuidade do julgamento naquelas condições poderia deixar a ré sem defesa efetiva. O órgão ressaltou que sua atuação não se limita à acusação, mas também inclui a preservação da legalidade e das garantias previstas no processo penal.
Novo julgamento será marcado
Com a dissolução do Conselho de Sentença, o julgamento foi anulado e deverá ser realizado novamente, com a escolha de outros jurados. Até o momento, não há data definida para a nova sessão.
A decisão não representa uma condenação nem uma absolvição da acusada. O mérito da acusação ainda deverá ser analisado em um novo julgamento, respeitando o direito à ampla defesa e ao contraditório.
Caso envolve suspeita de envenenamento e desvio financeiro
De acordo com a investigação, Bruna, que trabalhou na clínica do cardiologista por aproximadamente 12 anos, é acusada de administrar arsênio à vítima de forma gradual. A suspeita é de que o envenenamento teria como objetivo encobrir supostos desvios financeiros.
O caso também envolve uma investigação sobre movimentações de dinheiro da clínica, com suspeitas de desvio de centenas de milhares de reais. A defesa da acusada nega as acusações e sustenta que os valores recebidos teriam sido autorizados pelo médico.
Bruna responde por tentativa de homicídio qualificado e nega participação no crime. As acusações ainda dependem de julgamento, e a ré deve ser considerada inocente até eventual condenação definitiva.
