A reta final para a definição das candidaturas proporcionais no Espírito Santo ganhou novos ingredientes após uma sequência de decisões da Justiça Eleitoral que atingiram nomes importantes das chapas de deputado estadual e federal.
No PL, o cenário foi afetado pelo indeferimento da candidatura de Armandinho Fontoura ao cargo de deputado estadual. O vereador de Vitória teve o registro negado por unanimidade pelo Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), em razão de condenação por falsidade ideológica. A decisão, entretanto, ainda pode ser questionada por meio de recurso.
No mesmo cenário estadual, outra candidatura de peso também sofreu um revés. O TRE-ES indeferiu, nesta quinta-feira (10), o registro do ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), que disputava uma vaga na Assembleia Legislativa. A decisão está relacionada a uma condenação por improbidade administrativa referente ao período em que ele comandou a capital capixaba.
Já na disputa pela Câmara dos Deputados, o PL enfrenta a situação de Gilvan da Federal, cuja candidatura permanece sob forte questionamento judicial após decisões que mantiveram sua inelegibilidade. O caso ainda depende dos desdobramentos na Justiça Eleitoral.
Três baixas e uma nova equação eleitoral
As decisões mudam o ambiente das eleições proporcionais no Espírito Santo.
No caso do PL, a saída de Armandinho, caso seja mantida, reduz uma das opções da legenda na disputa pela Assembleia. Na chapa federal, uma eventual confirmação da inelegibilidade de Gilvan também abre espaço para que outros candidatos do partido tentem ampliar suas votações.
O resultado é uma espécie de rearranjo interno das forças eleitorais.
Candidatos que até então disputavam em segundo plano podem ganhar importância. E nomes que estavam concorrendo a deputado estadual podem passar a ser avaliados pelos partidos como alternativas para outras estratégias eleitorais, desde que a legislação permita e que sejam cumpridos todos os procedimentos exigidos pela Justiça Eleitoral.
Prazo de substituições entra no centro das discussões
O calendário eleitoral torna a situação ainda mais delicada.
O prazo para apresentação de pedidos de substituição de candidaturas termina em 14 de setembro, o que deixa partidos com poucos dias para avaliar decisões judiciais, recursos e possíveis mudanças.
A legislação eleitoral prevê substituição em situações como indeferimento, cancelamento ou cassação do registro, além de renúncia e falecimento, observadas as condições e os prazos estabelecidos pela Justiça Eleitoral.
Por isso, as próximas horas podem ser decisivas para as legendas que tiveram candidaturas atingidas por decisões judiciais.
Pode haver remanejamento entre estadual e federal?
Uma das possibilidades que passa a ser observada nos bastidores é a utilização de nomes já estruturados eleitoralmente para recompor as chapas.
Um candidato que hoje disputa uma vaga de deputado estadual poderia, em determinadas circunstâncias, ser escolhido pelo partido para ocupar uma candidatura federal que tenha ficado aberta.
Isso, porém, não significa uma simples troca de cargo no sistema eleitoral. A mudança depende de uma série de requisitos legais, da decisão partidária e da apresentação de um novo pedido de registro dentro dos prazos previstos.
Ou seja, o cenário abre uma possibilidade política, mas cada eventual mudança precisa ser analisada individualmente pela legenda e pela Justiça Eleitoral.
PL terá que refazer suas contas
No caso do PL, a situação é particularmente relevante.
A candidatura de Armandinho estava inserida em uma chapa estadual que agora precisa lidar com o impacto de seu indeferimento. Ao mesmo tempo, a situação de Gilvan interfere na composição da chapa federal.
Com isso, a direção partidária precisa trabalhar com diferentes cenários.
Lucas Polese, por exemplo, tende a ganhar ainda mais relevância na disputa federal caso a ausência definitiva de Gilvan seja confirmada. Ao mesmo tempo, outros nomes da chapa podem crescer justamente pela redistribuição de votos que uma eventual saída do deputado provocaria.
Na disputa estadual, a saída de Armandinho também pode favorecer candidatos que estavam próximos da zona de competitividade.
PSDB também terá que avaliar seus próximos passos
A situação de Luiz Paulo coloca o PSDB diante de uma decisão semelhante.
O ex-prefeito de Vitória tinha uma candidatura com potencial de concentração de votos e sua ausência, caso o indeferimento seja mantido, altera a composição da chapa estadual da Federação da qual o PSDB faz parte.
Assim como no caso de Armandinho, Luiz Paulo ainda pode recorrer. Portanto, as decisões atuais não significam necessariamente que os dois estarão definitivamente fora das urnas.
Enquanto os recursos são analisados, entretanto, os partidos precisam trabalhar com cenários alternativos.
Últimos dias podem redefinir as chapas
A combinação das decisões envolvendo Armandinho, Luiz Paulo e Gilvan coloca as eleições proporcionais capixabas em uma situação de forte movimentação.
São candidaturas de partidos diferentes e em disputas diferentes, mas que têm um ponto em comum: todas podem provocar mudanças na distribuição de votos e obrigar as legendas a recalcular suas estratégias.
O período que antecede o encerramento do prazo de substituições, portanto, pode ser marcado por reuniões, negociações e avaliações sobre quais nomes possuem maior capacidade de manter a competitividade das chapas.
Mais do que substituir candidatos, o desafio dos partidos será preservar o potencial eleitoral das legendas e transformar as vagas abertas em oportunidades para novos nomes.
Com poucos dias para o fechamento desse processo, o desenho definitivo das chapas ainda pode sofrer novas alterações — e candidatos que hoje aparecem fora do centro das atenções podem acabar ganhando protagonismo na reta final da eleição de 2026.
