Empresários que trabalham em áreas de Vila Velha e de outros municípios da Grande Vitória relatam estar sendo obrigados a pagar valores mensais a integrantes do tráfico para conseguir manter suas atividades funcionando.
A cobrança, conhecida como uma espécie de “pedágio” imposto pelo crime organizado, pode chegar a R$ 3 mil por mês, dependendo da empresa e da área onde ela atua. O esquema de extorsão já havia sido identificado em investigações policiais relacionadas à atuação de grupos criminosos no Espírito Santo.
Segundo informações reunidas em investigações, a cobrança não se limita a um único tipo de atividade. Empresários de setores que dependem da prestação de serviços em bairros controlados por criminosos podem ser pressionados a repassar parte de sua receita para conseguir trabalhar.
Cobrança varia conforme o negócio
Os valores exigidos pelos criminosos podem levar em consideração o tamanho da empresa, o número de clientes e o faturamento obtido na região.
Em investigações anteriores, empresários relataram pagamentos mensais de milhares de reais. Em alguns casos, os valores chegaram a R$ 3 mil, enquanto outros empreendedores teriam sido obrigados a desembolsar quantias ainda maiores.
A prática representa uma forma de financiamento das próprias organizações criminosas, que passam a transformar o controle territorial em fonte de renda.
Tráfico tenta controlar atividades comerciais
As investigações apontam que a estratégia pode ir além da simples cobrança de dinheiro.
Em determinados casos, criminosos tentaram assumir o controle de empresas que já atuavam em regiões consideradas estratégicas. Um dos exemplos investigados envolveu empresas de internet e o chamado “gatonet”, serviço clandestino de distribuição de sinal.
Segundo documentos de investigações policiais, criminosos chegaram a estudar a possibilidade de controlar empresas existentes, assumir clientes e explorar diretamente a atividade. Quando a estratégia não avançou como planejado, a cobrança de valores dos empresários passou a ser uma alternativa.
Extorsão gera medo entre comerciantes
Além do impacto financeiro, empresários que são alvo desse tipo de cobrança enfrentam o receio de sofrer represálias caso se recusem a pagar.
Investigações da Polícia Civil já apontaram situações em que criminosos ameaçavam assumir negócios ou prejudicar aqueles que não aceitassem as condições impostas.
As autoridades orientam vítimas de extorsão a procurar os canais oficiais de denúncia. No Espírito Santo, o Disque-Denúncia 181 também pode ser utilizado para comunicar informações às forças de segurança.
Crime organizado amplia fontes de financiamento
A cobrança de comerciantes e empresários demonstra uma estratégia cada vez mais diversificada de grupos criminosos: além do tráfico de drogas, organizações passam a buscar receitas em atividades econômicas realizadas dentro dos territórios sob sua influência.
Para as forças de segurança, o combate a esse tipo de prática exige não apenas ações contra os responsáveis pelas ameaças, mas também a identificação do caminho percorrido pelo dinheiro obtido por meio da extorsão.
O avanço dessas cobranças também reforça a preocupação com a chamada “economia do crime”, na qual atividades legais acabam sendo submetidas ao controle financeiro de organizações criminosas.
