A disputa eleitoral pelo Governo do Espírito Santo ganhou uma nova frente na Justiça. O Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) determinou que o Governo do Estado apresente informações detalhadas sobre voos realizados por helicópteros oficiais que tiveram o ex-governador Renato Casagrande, candidato ao Senado, como passageiro.
A decisão foi tomada pelo corregedor regional eleitoral, desembargador Arthur José Neiva de Almeida, em 1º de setembro, após pedido apresentado pela coligação “Paz Pra Viver Um Novo Tempo”, formada por Republicanos, PL e Democrata, que apoia Lorenzo Pazolini na disputa pelo Palácio Anchieta.
O objetivo é reunir elementos que possam subsidiar uma eventual Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE).
Governo terá cinco dias para apresentar documentos
O TRE-ES estabeleceu prazo de cinco dias para que a Casa Militar e o Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (NOTAER) apresentem uma série de informações.
Entre os documentos solicitados estão os custos por hora de voo, consumo de combustível, despesas com manutenção, seguros, hangaragem e depreciação das aeronaves.
Também deverão ser apresentados dados referentes ao tempo em que os helicópteros permaneceram no solo, eventuais horas extras, adicionais e diárias pagas às equipes responsáveis pelas operações.
A Justiça ainda determinou o envio das ordens de missão e escalas de voo realizadas desde 2 de abril de 2026 nas quais Renato Casagrande tenha aparecido como passageiro.
Pedido partiu da campanha de Pazolini
A representação foi apresentada pela coligação adversária de Ricardo Ferraço e questiona a utilização de aeronaves do Estado em deslocamentos realizados durante o período em que Casagrande já havia deixado o cargo de governador para disputar uma vaga no Senado.
Segundo a acusação apresentada pela coligação, entre 25 de abril e 4 de julho teriam ocorrido 23 jornadas de voo, correspondentes a 46 trechos, totalizando mais de 28 horas de voo.
A ação também sustenta que as aeronaves teriam permanecido mais de 151 horas em solo durante essas operações. Esses números, contudo, fazem parte dos elementos apresentados pela acusação e ainda serão confrontados com as informações oficiais que deverão ser entregues ao TRE-ES.
Quais helicópteros estão no centro da discussão?
A representação cita duas aeronaves utilizadas pelo NOTAER.
Uma delas é o PR-NOT, conhecido como Harpia 09, adquirido por cerca de R$ 30 milhões.
A outra é o PS-NOT, Harpia 10, que custou aproximadamente R$ 33 milhões e teve recursos provenientes da reparação relacionada ao desastre ambiental do Rio Doce.
A coligação de Pazolini questiona se houve desvio da finalidade pública das aeronaves durante os deslocamentos que tiveram Casagrande como passageiro.
Casagrande nega uso de aeronave oficial
Em manifestação divulgada pela reportagem, Renato Casagrande negou ter utilizado ou solicitado aeronaves oficiais depois de deixar o Governo do Estado.
O ex-governador afirmou que participou de solenidades no interior apenas como convidado e declarou que não utilizou, não requisitou e não teve controle sobre nenhuma aeronave oficial após deixar o cargo.
Até a publicação da reportagem do ES Hoje, o governador Ricardo Ferraço ainda não havia apresentado manifestação sobre o caso.
Justiça quer saber quanto custaram os voos
A decisão do TRE-ES não conclui que houve irregularidade ou crime eleitoral.
O que o tribunal determinou, neste momento, é a produção de informações para esclarecer quanto custaram os deslocamentos, qual era a finalidade das missões e em quais circunstâncias Casagrande embarcou nas aeronaves estaduais.
O desembargador também rejeitou o pedido para que, diante de eventual ausência de informações, fosse aplicada automaticamente uma tabela de preços de fretamento particular para calcular o custo dos voos.
Agora, a expectativa é pelo envio dos documentos pela Casa Militar e pelo NOTAER. A partir desses dados, a Justiça Eleitoral poderá avaliar os próximos passos da investigação.
O episódio acrescenta mais um capítulo à disputa entre os grupos de Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini, que já vêm travando uma intensa batalha jurídica durante a campanha eleitoral de 2026.
Até o momento, não há decisão judicial reconhecendo abuso de poder político ou econômico. O caso está em fase de coleta de informações e apuração.
