A eleição para deputado estadual no Espírito Santo será marcada não apenas pela disputa entre partidos, mas também por uma verdadeira batalha pelos chamados “territórios eleitorais”.
Em uma eleição proporcional, ter uma base política consolidada em determinado município pode representar uma vantagem importante. Vereadores, lideranças comunitárias, grupos políticos e a própria trajetória do candidato ajudam a construir uma rede capaz de transformar um município em uma espécie de reduto eleitoral.
Entre os exemplos que chamam atenção nas eleições de 2026 estão Zé Preto, em Guarapari; Armandinho Fontoura, em Vitória; e Peter Costa, em Mimoso do Sul.
Zé Preto tem Guarapari como principal reduto
O deputado estadual Zé Preto construiu sua trajetória política em Guarapari. Antes de chegar à Assembleia Legislativa, foi vereador do município por dois mandatos e chegou a ser o vereador mais votado da cidade em 2020.
A própria trajetória eleitoral demonstra a força de sua base local. Zé Preto foi eleito deputado estadual em 2022 com 15.901 votos e tem Guarapari como sua principal referência política.
Para 2026, a tendência é que Guarapari continue sendo um dos principais campos de batalha do candidato, especialmente pela capacidade de mobilização construída ao longo de anos.
Mais do que simplesmente buscar votos, Zé Preto possui uma relação política estabelecida com comunidades, lideranças e segmentos do município.
Armandinho e a força da capital
Em Vitória, um dos nomes que chegam à disputa com uma base municipal claramente identificada é Armandinho Fontoura.
Natural da capital, Armandinho construiu sua carreira política no município e foi eleito vereador de Vitória em 2020 e novamente em 2024. Na eleição municipal mais recente, recebeu 3.076 votos, todos concentrados na capital, onde também disputou suas eleições anteriores.
Agora, ao buscar uma vaga na Assembleia Legislativa, o desafio é transformar essa força concentrada em Vitória em uma votação estadual.
A capital, entretanto, é um território altamente disputado. Diferentes candidatos possuem grupos políticos, mandatos, lideranças comunitárias e redes eleitorais estabelecidas na cidade.
Por isso, a votação de Armandinho em Vitória poderá ser determinante para medir sua capacidade de ampliar o alcance de sua candidatura para outros municípios.
Peter Costa e o peso de Mimoso do Sul
No Sul do Espírito Santo, Peter Costa aparece em uma situação diferente.
Atual prefeito de Mimoso do Sul, Peter foi eleito para comandar o município em 2024 e agora disputa uma vaga de deputado estadual pelo PP.
A força eleitoral dele em Mimoso é expressiva. Na eleição municipal de 2024, Peter recebeu 12.975 votos para prefeito no município.
Esse resultado demonstra o tamanho de sua estrutura política local.
A questão agora é saber quanto dessa força poderá ser convertida em votos para deputado estadual fora de Mimoso do Sul.
A batalha pelos municípios
A eleição proporcional cria uma disputa peculiar.
Enquanto alguns candidatos possuem votação mais distribuída pelo Estado, outros concentram grande parte de sua força em determinados municípios.
É justamente nesse cenário que surgem os chamados “territórios eleitorais”.
Um candidato com forte presença em Guarapari terá que defender sua base diante de outros concorrentes. Em Vitória, Armandinho terá de disputar espaço com dezenas de candidatos que também enxergam a capital como um dos principais centros de votação.
Já Peter Costa poderá transformar a força política conquistada em Mimoso do Sul em ponto de partida para uma campanha regional.
30 vagas e centenas de candidatos
A disputa promete ser acirrada. Para as eleições de 2026, 403 candidatos foram registrados para concorrer às 30 cadeiras da Assembleia Legislativa do Espírito Santo.
Isso significa que cada voto terá peso e que a capacidade de organização municipal poderá fazer diferença.
Nesse cenário, possuir um “território” não significa necessariamente garantir uma cadeira, mas representa uma vantagem estratégica: o candidato começa a corrida com uma rede política já estruturada.
A grande pergunta será justamente essa: quais candidatos conseguirão transformar seus redutos municipais em uma votação estadual suficiente para chegar à Assembleia Legislativa?
Guarapari, Vitória e Mimoso do Sul são apenas alguns exemplos de como a eleição de 2026 deverá ser marcada por uma intensa disputa pelo controle político e eleitoral dos municípios capixabas.
