A decisão do governo dos Estados Unidos de assumir o controle do Estreito de Ormuz e cobrar uma taxa de 20% sobre cargas transportadas pela rota pode gerar impactos na economia mundial e também trazer reflexos para o Espírito Santo, segundo especialistas.
Embora o Estado não mantenha uma relação comercial direta com a região, o aumento dos custos no transporte marítimo internacional pode influenciar setores importantes da economia capixaba, principalmente por meio da alta do frete, dos combustíveis e dos insumos utilizados pela indústria.
O Estreito de Ormuz, localizado entre o Irã e Omã, é considerado uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo, concentrando cerca de 20% de todo o produto consumido no planeta. Qualquer alteração no fluxo de embarcações ou aumento nos custos de navegação tende a impactar o mercado internacional de energia.
Após o anúncio da medida, os preços do petróleo registraram alta no mercado internacional. O barril do Brent, referência global, ultrapassou os US$ 86, enquanto o WTI também apresentou valorização, refletindo a preocupação dos investidores com possíveis impactos na oferta da commodity.
Segundo o economista Ricardo Paixão, mesmo sem depender diretamente da rota, o Espírito Santo pode sentir os efeitos da medida por causa do aumento dos custos logísticos.
Na avaliação do especialista, o encarecimento do transporte marítimo pode pressionar o preço dos combustíveis, elevar despesas de importação e exportação e contribuir para o avanço da inflação, afetando empresas e consumidores.
Além do setor de combustíveis, atividades ligadas ao comércio exterior, à indústria e à logística podem enfrentar aumento de custos caso a nova cobrança resulte em fretes marítimos mais caros e maior instabilidade no mercado internacional.
