Clínicas do Espírito Santo acumulam quase 9 mil embriões congelados para reprodução assistida

Cresce a procura por preservação da fertilidade e planejamento familiar; especialistas destacam segurança do armazenamento a longo prazo

O número de embriões congelados em clínicas de reprodução assistida do Espírito Santo tem aumentado nos últimos anos, refletindo uma tendência observada em todo o país: o adiamento da maternidade e da paternidade por questões profissionais, financeiras e de planejamento familiar.

Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontam que 8.791 embriões estavam armazenados entre 2020 e 2025 em quatro centros de reprodução humana assistida localizados nos municípios de Vitória, Vila Velha e Linhares.

O congelamento de embriões é uma etapa comum nos tratamentos de fertilização in vitro e também uma alternativa para casais que desejam preservar a possibilidade de ter filhos no futuro. A técnica permite que os embriões permaneçam armazenados por longos períodos sem comprometer sua viabilidade.

Especialistas explicam que o procedimento oferece vantagens importantes durante o tratamento reprodutivo. Entre elas está a possibilidade de realizar análises genéticas nos embriões antes da transferência para o útero, permitindo identificar alterações cromossômicas e aumentar as chances de uma gestação saudável.

Além de casais que enfrentam dificuldades para engravidar naturalmente, a técnica também é procurada por pessoas que desejam preservar a fertilidade antes de tratamentos médicos agressivos, como quimioterapia e radioterapia, ou por quem pretende adiar a gravidez para uma fase mais estável da vida.

Segundo profissionais da área, já existem registros de nascimentos a partir de embriões mantidos congelados por mais de duas décadas. O tempo de armazenamento, por si só, não representa risco para o material biológico, desde que sejam mantidas as condições adequadas de conservação.

Antes da realização do procedimento, os pacientes precisam assinar um termo de consentimento que estabelece regras sobre o destino dos embriões em diferentes situações futuras. O documento define, por exemplo, o que acontecerá em casos de separação do casal, falecimento de um dos parceiros ou morte de ambos.

Também devem ser registradas previamente decisões relacionadas à possibilidade de descarte, doação para pesquisas científicas ou cessão dos embriões para outros casais que realizam tratamento de reprodução assistida.

Outro ponto importante é que nenhuma utilização dos embriões pode ocorrer sem a autorização expressa dos envolvidos, respeitando as condições acordadas no momento da assinatura do contrato.

Com o avanço das técnicas de reprodução assistida e a mudança no perfil das famílias brasileiras, especialistas acreditam que o número de embriões congelados continuará crescendo nos próximos anos, acompanhando a busca por alternativas que ofereçam mais flexibilidade no planejamento reprodutivo.

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