ELEIÇÃO NO ÁLVARES CABRAL: CHAPA ROSA E CHAPA BRANCA BUSCAM CONTINUIDADE EM MEIO A QUESTIONAMENTOS SOBRE A GESTÃO

Manifestação do Ministério Público relata investigação sobre suspeita de alteração de registros financeiros e contábeis. Conselho Fiscal recomendou a não aprovação das contas de 2023. Chapa Azul defende transparência e conta com o apoio eleitoral da Chapa Amarela para o Conselho Fiscal.

A eleição do Clube de Regatas Álvares Cabral, marcada para terça-feira, 27 de outubro, às 17h, acontece em meio a debates sobre a administração financeira, a transparência e o futuro de uma das instituições esportivas mais tradicionais do Espírito Santo.

Na disputa, a Chapa Rosa e a Chapa Branca representam o grupo ligado à atual gestão, que busca a continuidade na administração do clube. Do outro lado, a Chapa Azul se apresenta como oposição, defendendo renovação e maior transparência, e orienta seus apoiadores a também votarem na Chapa Amarela para o Conselho Fiscal.

O cenário eleitoral é marcado por documentos que registram questionamentos sobre as contas e pela existência de uma manifestação do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) relacionada a uma investigação envolvendo suspeitas de alteração de registros financeiros e contábeis.

MPES relata investigação sobre registros financeiros

Uma manifestação do Ministério Público do Espírito Santo, assinada pelo promotor de Justiça Ivan Soares de Oliveira Filho em 15 de maio de 2025, informa que uma investigação policial apurou suspeitas de alteração de registros financeiros e contábeis do Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral (CNRAC).

Segundo o documento, os fatos investigados teriam ocorrido em setembro de 2020 e envolveriam Fernando Coutinho Bissoli, Valdeir Lopes de Sá, Raul Nazareno Mercandelli Dutra e Tatiane Coutinho Guimarães.

A suspeita descrita na manifestação é de que os registros teriam sido alterados para modificar a compreensão dos fatos e permitir que os envolvidos participassem da eleição para a diretoria referente ao triênio 2021–2023.

O MPES informou que, diante da inviabilidade de um Acordo de Não Persecução Penal, seguiria com denúncia em separado, com proposta de suspensão condicional do processo.

A manifestação não equivale a uma condenação criminal, e a situação processual atual precisa ser confirmada nos autos judiciais.

Conselho Fiscal recomendou a não aprovação das contas

Outro ponto central do debate é o parecer do Conselho Fiscal referente ao exercício de 2023, que recomendou a não aprovação das contas e das demonstrações contábeis.

O documento menciona inconsistências financeiras e administrativas, além de questionamentos sobre contratos com terceiros, despesas, compras e movimentações de recursos.

Entre os apontamentos estão questionamentos envolvendo uma movimentação de R$ 70 mil, suspeitas relacionadas à utilização de caixas paralelos em eventos, operações com títulos patrimoniais e problemas identificados em contratos.

Os registros fazem parte do parecer do Conselho Fiscal e não devem ser confundidos com decisões judiciais definitivas. Ainda assim, constituem questões relevantes para o debate sobre a administração e a fiscalização dos recursos do clube.

A ata nº 379 do Conselho Deliberativo, referente à reunião de 21 de maio de 2024, também registra discussões sobre as demonstrações contábeis de 2023 e o parecer fiscal.

Associados cobram transparência nos contratos

A cobrança por esclarecimentos aparece também em um requerimento protocolado por associados em 23 de setembro de 2026. O documento solicita acesso a contratos, convênios e termos de parceria relacionados às atividades realizadas com a Federação Aquática Capixaba entre 2023 e agosto de 2026.

O pedido inclui informações sobre projetos sociais, competições e eventos nas dependências do clube, bem como as condições de utilização dos espaços e as contrapartidas financeiras ou materiais envolvidas.

A iniciativa reforça a discussão sobre acesso à informação, fiscalização dos contratos e prestação de contas aos associados.

Chapa Azul e Chapa Amarela defendem fiscalização e transparência

A Chapa Azul apresenta uma proposta de renovação administrativa e maior transparência na condução do clube. O grupo também defende melhorias na estrutura esportiva e nos espaços de convivência.

Na composição eleitoral apresentada aos associados, a orientação é votar na Chapa Azul para a disputa correspondente à diretoria executiva e ao Conselho Deliberativo e na Chapa Amarela para o Conselho Fiscal, responsável pela fiscalização das contas.

A articulação busca fortalecer a representação dos associados e ampliar a atenção à fiscalização financeira e administrativa.

Já a Chapa Rosa e a Chapa Branca estão ligadas ao grupo que busca manter a continuidade da atual administração. Os associados poderão avaliar as propostas e os esclarecimentos apresentados por cada grupo antes de decidir seu voto.

Eleição será na terça-feira, às 17h

A votação está marcada para 27 de outubro, terça-feira, a partir das 17h. O resultado definirá os representantes escolhidos pelos associados para os próximos anos.

Em meio aos questionamentos documentados, a eleição coloca em pauta a transparência nas contas, a fiscalização dos contratos, a preservação do patrimônio e a participação dos sócios nas decisões do clube.

Com mais de 120 anos de história, o Álvares Cabral enfrenta uma disputa que vai além da escolha de chapas: envolve a expectativa dos associados por informações claras, prestação de contas e respostas sobre os apontamentos registrados nos documentos.

A decisão caberá aos associados, que poderão comparar as propostas, examinar os esclarecimentos apresentados e escolher os representantes que consideram mais alinhados às suas expectativas para o futuro do clube.

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