A Polícia Civil concluiu as investigações sobre o assassinato do jovem Caio Edison Nery Eloi, de 19 anos, baleado com mais de 20 tiros no quintal de sua residência no bairro Rio Marinho, em Vila Velha, em agosto de 2021. O desfecho do caso veio a partir de uma descoberta inesperada: a prisão de um advogado que servia como mensageiro entre criminosos presos e em liberdade.
A Cena do Crime
Imagens de câmeras de segurança da região registraram toda a ação. Dois carros pretos chegaram próximos à casa da vítima. De um dos veículos, desceram dois homens que pularam o muro e encontraram Caio no quintal, onde ele foi executado.
O adjunto do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha, delegado Cleudes Júnior, detalhou que a operação contou com pelo menos três envolvidos: dois atiradores e um motorista que dava cobertura no segundo veículo.
Os executores foram identificados como Leonardo Gramelisch Viana Rodrigues, conhecido como “Leo”, e Gabriel dos Santos Koski. Ambos já se encontram presos.
O “Pombo-Correio” que Entregou o Crime
A chave para a conclusão do inquérito foi a interceptação de um advogado que atuava como intermediário, levando e trazendo recados entre detentos e integrantes do crime organizado em liberdade. Com ele, a polícia encontrou uma mensagem enviada por Gabriel ao traficante Edson dos Santos Correia, o “Leo do Vale” — líder do tráfico no bairro Vale Encantado, que já estava preso à época do crime.
Na mensagem, Gabriel confirmava a morte de Caio. O nome do advogado não foi divulgado pelas autoridades.
Motivação: Retaliação e Disputa Territorial
Segundo as investigações, o crime teria sido uma retaliação. No dia anterior à execução, a vítima teria ido até uma praça do bairro Vale Encantado e efetuado disparos contra membros do Primeiro Comando de Vitória (PCV).
O delegado Cleudes Júnior destacou ainda que há uma guerra constante pelo controle do tráfico na região. “Há muita rivalidade entre traficantes de Rio Marinho, Vale Encantado, Jardim Marilândia e Cobilândia. Há conflitos porque essas facções às vezes dividem território dentro de um mesmo bairro e buscam expansão territorial por lucro”, afirmou.
Um Foragido
Dos quatro envolvidos no crime, três já estão presos. O único ainda foragido é Marlon Carlini Francisco, conhecido como “Marlim”, apontado como o motorista do veículo que deu cobertura aos atiradores durante a execução. A polícia segue em busca de sua localização.
