Nos últimos anos, clínicas de saúde e estética passaram a oferecer a chamada “soroterapia” como solução para sintomas como cansaço, baixa disposição, dificuldade de concentração e alterações de humor, especialmente em mulheres na fase da perimenopausa. As promessas costumam incluir frases como “mais energia”, “absorção total de vitaminas” e “recuperação rápida do organismo”.
Mas o que dizem as evidências científicas?
Especialistas em medicina baseada em evidências alertam que, para pessoas sem deficiência comprovada de vitaminas ou minerais, não existem estudos clínicos robustos demonstrando que a infusão intravenosa de vitaminas melhore fadiga, disposição ou qualidade de vida de forma consistente.
Embora seja verdade que a administração intravenosa leve os nutrientes diretamente à corrente sanguínea, isso não significa automaticamente que o paciente obtenha benefícios clínicos. Em medicina, um tratamento precisa demonstrar resultados em pesquisas de qualidade, e não apenas apresentar uma explicação fisiológica aparentemente convincente.
A fadiga após os 40 anos pode ter diversas causas, incluindo alterações hormonais da perimenopausa, anemia, deficiência de ferro ou vitamina B12, distúrbios da tireoide, problemas de sono, depressão, ansiedade e outras condições médicas. Por isso, a recomendação das principais diretrizes médicas é investigar a origem dos sintomas antes de recorrer a tratamentos de eficácia incerta.
Outro ponto que merece atenção é a crescente publicação de conteúdos que apresentam a soroterapia de forma quase exclusivamente positiva, sem mencionar as limitações das evidências disponíveis, os possíveis riscos do procedimento ou a ausência de consenso entre sociedades médicas. Em muitos casos, essas reportagens se aproximam mais de conteúdo promocional do que de jornalismo em saúde.
Informação de qualidade exige transparência. Sempre que um tratamento promete resultados rápidos, utiliza linguagem técnica para impressionar o leitor e deixa de apresentar estudos científicos de boa qualidade que sustentem suas afirmações, o senso crítico deve ser acionado.
A saúde não deve ser guiada pelo marketing. Antes de investir em terapias intravenosas ou suplementos de alto custo, o mais prudente é buscar avaliação médica, realizar os exames necessários e optar por tratamentos respaldados por evidências científicas. Em tempos de excesso de informação, o pensamento crítico continua sendo um dos melhores instrumentos de proteção da saúde.
