O mês de março também é marcado pela campanha Março Lilás, dedicada à conscientização e prevenção do câncer do colo do útero, uma das doenças que mais afetam mulheres no Brasil. A data ganha ainda mais destaque no dia 26, quando é celebrado o Dia Mundial de Combate à doença.
Esse tipo de câncer se desenvolve na região inferior do útero e está diretamente relacionado à infecção pelo HPV (papilomavírus humano), transmitido principalmente por contato sexual. Embora seja comum ao longo da vida, o vírus costuma ser eliminado pelo organismo. No entanto, em alguns casos, a infecção persiste e pode evoluir para lesões que, se não tratadas, resultam no câncer.
A prevenção começa com medidas simples, como a vacinação contra o HPV, oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes entre 9 e 14 anos, além de grupos específicos. O uso de preservativos também é indicado como forma de reduzir o risco de infecção.
Outra estratégia essencial é o rastreamento da doença. O exame Papanicolau segue como principal método indicado para mulheres de 25 a 64 anos que já iniciaram a vida sexual. Após dois resultados negativos consecutivos, o intervalo entre os exames pode ser ampliado para três anos, conforme orientação médica.
Nos últimos anos, o Brasil tem avançado na incorporação de novas tecnologias para o diagnóstico precoce. Entre elas está o teste molecular para detecção do DNA do HPV, que permite identificar com maior precisão os subtipos do vírus e antecipar possíveis riscos antes mesmo do surgimento de lesões.
No Espírito Santo, essa metodologia começou a ser implantada de forma pioneira em 2024, inicialmente na região Sul do Estado. A iniciativa ampliou o acesso ao diagnóstico e contribuiu para um rastreamento mais eficaz, com milhares de exames realizados e dados importantes para o acompanhamento da doença.
De acordo com estimativas nacionais, o câncer do colo do útero continua entre os tipos mais incidentes entre mulheres, com milhares de novos casos registrados anualmente. No Espírito Santo, a doença também figura entre as mais frequentes, o que reforça a necessidade de ampliar as ações de prevenção e diagnóstico precoce.
Apesar dos avanços, o número de óbitos ainda preocupa, tornando fundamental a adesão das mulheres às estratégias de cuidado oferecidas pelo SUS. Especialistas destacam que, com vacinação, exames regulares e acesso à informação, é possível reduzir significativamente os casos e salvar vidas.
