O governo federal estuda criar uma linha de crédito específica para motoristas de aplicativos com o objetivo de facilitar a aquisição ou substituição de veículos. Pesquisas do setor indicam que cerca de 90% dos motoristas têm interesse em comprar ou trocar de carro nos próximos anos, e muitos atualmente alugam veículos para trabalhar.
Segundo levantamento do Instituto Datafolha em 2025 com condutores da Uber, 87% pretendem adquirir ou trocar de carro nos próximos três anos, sendo que 88% planejam financiar a compra e apenas 12% pagar à vista. Entre os que não pretendem trocar de veículo, o motivo mais comum é que o carro atual ainda está em boas condições.
Atualmente, três em cada quatro motoristas (74%) possuem o próprio veículo, mas 56% ainda estão pagando parcelas que geralmente ultrapassam três anos. Entre os que não têm veículo próprio, 57% utilizam carros de empresas, pagando aluguel na maioria dos casos (73%).
O programa de crédito em estudo poderia oferecer financiamento com juros reduzidos, além de isenções ou descontos de impostos. No entanto, questões técnicas e o período eleitoral têm dificultado a definição da proposta, já que diversos ministros estão se desincompatibilizando para concorrer nas eleições de outubro.
Experiência com caminhões
Paralelamente, o governo mantém o programa Move Brasil, voltado à renovação da frota de caminhões. Com recursos de R$ 10 bilhões do Tesouro Nacional e do BNDES, os financiamentos oferecem juros abaixo do mercado, prazo máximo de cinco anos e carência de até seis meses. A entrega do caminhão antigo para reciclagem pode reduzir ainda mais os juros. Apenas veículos de fabricação nacional estão contemplados.
Limitações para carros populares e motos
Segundo interlocutores do governo, medidas para veículos de entrada ou motos não estão previstas no momento. A fabricação de motos concentra-se na Zona Franca de Manaus, com incentivos fiscais, e o nível de inadimplência nesse segmento é elevado. Carros populares, que custam até R$ 70 mil, são pouco lucrativos para as montadoras e a procura tem se concentrado em veículos mais caros, beneficiados por crédito mais acessível e aumento da renda da população.
O setor automotivo, assim como outros bens duráveis, ainda é impactado pelos juros altos, limitando compras à vista e mantendo a prioridade em financiamentos.
